{"id":9513,"date":"2015-03-07T12:06:57","date_gmt":"2015-03-07T15:06:57","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=9513"},"modified":"2025-11-12T15:47:48","modified_gmt":"2025-11-12T18:47:48","slug":"aperitivodapalavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/aperitivodapalavra\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras bailarinas na sala de leitura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Neuzamaria Kerner<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/interna5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"354\" height=\"500\" src=\"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/interna5.jpg\" alt=\"Profundan\u00e7as\" class=\"wp-image-9515\" srcset=\"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/interna5.jpg 354w, https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/interna5-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprofundamento no sentido mais vertical da palavra. Abund\u00e2ncia do profundo no mais profundo da alma. Isso deve ser a <strong>Profundan\u00e7a<\/strong>. A alma aqui \u00e9 o livro perpassado pelo filtro da poesia que habita nessas p\u00e1ginas de poemas e imagens femininas. As imagens, representa\u00e7\u00f5es da psique das 13 escritoras que partiram de v\u00e1rios lugares e caminharam at\u00e9 o ponto de encontro: esta antologia. Elas desfilam vestidas de poemas, sendo vistas desde a apresenta\u00e7\u00e3o do livro feita pela organizadora Daniela Galdino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Profundan\u00e7as: antologia liter\u00e1ria e fotogr\u00e1fica<\/strong> em sua 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o virtual, Voo Audiovisual, 2014, vindo de Ipia\u00fa (BA), pousa nos campos virtuais para espalhar poesia. &nbsp;Na imagem de abertura uma mulher sobe degraus de uma escadaria como que simbolizando o progresso, a realiza\u00e7\u00e3o de desejo consubstanciado no livro pronto. 13 escritoras desengavetam suas palavras para que povoem o universo; 13 escritoras tratam de recolher as mazelas desaprisionadas da caixa de Pandora para que sejam reconfinadas at\u00e9 elas aprenderem com a Esperan\u00e7a \u2013 que havia ficado no fundo da caixa \u2013 sobre a import\u00e2ncia da arte como elemento que transubstancia palavra em alimento para a alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Belisa, Brisa, Calila, Celeste, Daniela, Fernanda, Lorenza, M\u00e1rcia, Potira, Raquel, Renailda, Say e Valqu\u00edria misturam suas experi\u00eancias individuais e apresentam um modelo de pertencimento a uma comunidade art\u00edstica de alto gabarito que interage com um p\u00fablico leitor que lan\u00e7a sua rede no mais profundo mundo virtual para buscar o melhor pescado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribui\u00e7\u00e3o dos textos \u00e9 feita com mistura de versos e prosas onde as autoras puderam expressar suas <strong>profundan\u00e7as<\/strong> com muita leveza e liberdade, incluindo a apresenta\u00e7\u00e3o de fotografias delas mesmas como extens\u00e3o da palavra escrita. Elas est\u00e3o presentes. Os textos t\u00eam a cara das donas e \u00e9 muito interessante observar como cada palavra escrita identifica cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As fotografias v\u00e3o como que revelando o cotidiano das mo\u00e7as e ilustrando o esp\u00edrito do livro na medida em que o olhar dos fot\u00f3grafos vai capturando as <strong>profundan\u00e7as<\/strong> dos momentos e perpetuando os movimentos das escritoras. Assim acontece o entrela\u00e7amento das palavras e imagens quando Martinho, empunhando a c\u00e2mera, olha o olhar de Valqu\u00edria que fala:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Empunho o que sou,<\/em><br \/>\n<em>porque o ser que me habita<\/em><br \/>\n<em>n\u00e3o quer o que esfria,<\/em><br \/>\n<em>ao contr\u00e1rio,<\/em><br \/>\n<em>pede o que borbulha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Faf\u00e1 surpreende Say entre panelas \u2013 dispostas no altar para o banquete &#8211; grafites, flores e estampas na saia. Mais uma vez a imagem casa com a poesia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Escondo, na parte de dentro,<\/em><br \/>\n<em>Do estampado florido de minhas saias<\/em><br \/>\n<em>Um respiro calmo no altar de mim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e1rcia e J\u00e9ssica se encontram num di\u00e1logo aparentemente desencontrado. S\u00f3 na apar\u00eancia mesmo, posto que da cor seca do sert\u00e3o brota a florada de quem, como num ato de contri\u00e7\u00e3o, escreve poemas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Meu sert\u00e3o tem a cor amarela<\/em><br \/>\n<em>Como as folhas no outono<\/em><br \/>\n<em>E a minha saudade tem a cor s\u00e9pia<\/em><br \/>\n<em>Como numa fotografia<\/em><br \/>\n<em>uma saudade assim<\/em><br \/>\n<em>envelhecida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma \u00e1rvore prenha guarda \u00e1guas sertanejas para matar as necess\u00e1rias sedes. \u00c9 assim a natureza: resistente e adapt\u00e1vel porque criativa. Como um \u00fatero aconchegante carrega dentro de si a poesia que germina e se desenvolve pela palavra forte de Celeste e pelo gatilho da c\u00e2mera de Ravena. Belo encontro!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 dispens\u00e1vel neste momento escrever sobre as autoras, posto que no final do livro a organizadora teve o cuidado de apresent\u00e1-las numa <em>Mini Bio d@s participantes<\/em> de um jeito muito mais interessante de forma que o leitor poder\u00e1 conferir e entender o porqu\u00ea dessa aus\u00eancia de explica\u00e7\u00f5es nesta resenha. Al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o das escritoras, Daniela Galdino abre espa\u00e7o detalhado para mostrar quem fotografou e quem ajudou na produ\u00e7\u00e3o do brilhante material que a partir de agora est\u00e1 no mundo atrav\u00e9s da boca e da pena das autoras deste livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Olho-me no espelho nua por dentro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">porque<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Fui nomeada no esteio do vento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Sou eu, \u00e1cido, viol\u00e3o sem cordas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">E me extasiando com sua m\u00fasica surda<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>tenho medo dos sussurros das palavras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>come\u00e7o a pender para dire\u00e7\u00f5es esquecidas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">buscando os caminhos que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>as quinas das portas cortam meus passos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>H\u00e1 mofo no teto e gotas de chuva nas cortinas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>e a minha saudade tem a cor s\u00e9pia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">na presen\u00e7a do enxofre envelhecedor de fotografias&#8230; mas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>prometo gozar o atraso dos dissabores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>sintomas de precip\u00edcio\/ predicados de botequim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Ah!&#8230; O que tenho?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Tenho tanto medo de deus \/ que at\u00e9 fraquejei com esta caneta,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">por\u00e9m depois de cada inverno inscrito<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>eu sempre voltarei para o ver\u00e3o dos teus bra\u00e7os<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">porque \u00e9 neles que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>os meus cabelos \/ escondem navalhas errantes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">mas que n\u00e3o podar\u00e3o a <strong>profundan\u00e7a<\/strong> de cada palavra poemada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* Os textos em it\u00e1lico s\u00e3o os t\u00edtulos das falas das autoras deste precioso livro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cProfundan\u00e7as\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel para <a href=\"http:\/\/vooaudiovisual.com.br\/projects\/profundancas\/%20\"><strong>download<\/strong><\/a> no site Voo Audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/www.neuzamariakerner.blogspot.com.br\/%20\"><strong><em>Neuzamaria Kerner<\/em><\/strong><\/a><em>, baiana de Salvador, \u00e9 professora e escritora. Tem publicados os livros: \u201cFragmentos de Cristal\u201d, \u201cEu Bebi a Lua\u201d, \u201cA Presen\u00e7a do Mar na Prosa Grapi\u00fana\u201d, entre outras publica\u00e7\u00f5es em revistas liter\u00e1rias. Seu mais recente rebento po\u00e9tico \u00e9 \u201cO Livro-Arb\u00edtrio das Evas \u2013 Dentro e Fora do Jardim\u201d (Ed. Editus \u2013 2014).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neuzamaria Kerner entoa as vozes femininas do livro Profundan\u00e7as<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"autor_texto":"","texto_outros_olhares":"","footnotes":""},"categories":[2422],"tags":[11,1081,471,2464,159,2463,189],"caderno":[4365],"class_list":["post-9513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-99a-leva","tag-aperitivo-da-palavra","tag-fotografias","tag-neuzamaria-kerner","tag-palavras-bailarinas-na-sala-de-leitura","tag-poemas","tag-profundancas","tag-resenha","caderno-aperitivo-da-palavra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9513"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22188,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9513\/revisions\/22188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9513"},{"taxonomy":"caderno","embeddable":true,"href":"https:\/\/dev.antoniopaim.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/caderno?post=9513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}