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	<title>76ª Leva &#8211; 02/2013 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 17:56:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 76ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA8.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="550" height="358" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA8.jpg" alt="" class="wp-image-3854" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA8.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA8-300x195.jpg 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O que dizer dos vestígios que deixamos em vida? Na profusão dos seres, cada acesso percorrido sugere um arremesso. A medida inexata das profundidades flerta constantemente com os mergulhos a que nos propomos. Assim, vamos tentando alguma pista sobre nós mesmos, quiçá um entendimento sobre o que reter da jornada errante. O expelir das palavras pode nos auxiliar nesse exercício de transitar pelos lugares todos. Talvez a capacidade de abstração seja a possível cura para alguns cruciais desfoques do olhar. Enquanto somos impelidos à busca, a leitura dos sinais aparece multifacetada em toda a sorte de trajetos. Ao mesmo tempo em que viver é se deparar com as manifestações ululantes daquilo que temos em conta como sendo o real, o emaranhado de nossa subjetividade enreda laços para o fugidio descompasso dos instantes. Então, nos é dado o abrigo do sonho, não como um refúgio premeditado, mas como vias de reinvenção da existência. Daí, encontrar artesãos da palavra que sabem o gosto que tal missão encerra. Na Leva que apresentamos agora, a entrevista com o escritor paraense <strong>Vicente Franz Cecim </strong>dá-nos um pouco da dimensão disso tudo. Tendo como cenário de sua obra a mítica Andara, Vicente descortina outras camadas dessa complexa e misteriosa experiência que é o estar-se vivo. Entre textos e seus múltiplos signos, somos levados pela exposição das fotografias de <strong>Silvio Crisóstomo</strong>, cujo trabalho confere um denso e especial olhar sobre a cidade de São Paulo. Os ventos poéticos de então sussurram marcantes sinais nas escrituras de <strong>Joelma Bittencourt</strong>, <strong>Heitor Brasileiro Filho</strong>, <strong>Eduardo Lacerda</strong>, <strong>Karinne Santiago</strong>, <strong>João Urubu </strong>e <strong>Sandrio Cândido</strong>. Enlaces do cotidiano, os quais nos marcam a ferro e fogo, estão presentes nos contos de <strong>Carla Diacov </strong>e <strong>Rodrigo Melo</strong>. Nesse terreno, ainda há espaço para a veia fabular do argentino <strong>Fernando Sorrentino</strong>. Num convite à leitura, a escritora <strong>Márcia Barbieri </strong>propõe um percurso pelo romance de estreia de <strong>Halley Margon</strong>. <strong>Larissa Mendes </strong>desfila impressões sobre o mais novo disco do cantor e compositor <strong>Otto</strong>. A produção americana <strong>Moonrise Kingdom</strong> é tema da resenha cinéfila de <strong>Bolívar Landi</strong>.&nbsp; A 76ª Leva prenuncia seus novos mergulhos. Sejam bem-vindos, caros leitores!</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><br />
</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética III</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 17:48:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides do Desuso da Dor]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[João Urubu]]></category>
		<category><![CDATA[Lächeln und Verzweiflung]]></category>
		<category><![CDATA[O que Mereço ou O que me Passo]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[João Urubu convida-nos à leitura de seus voos intimistas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>João Urubu</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA7.jpg"><img decoding="async" width="550" height="350" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA7.jpg" alt="" class="wp-image-3846" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA7.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA7-300x190.jpg 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Efemérides do Desuso da Dor.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>I</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que Mereço ou O que me Passo –</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu tenho medo, confesso.<br />
Juro que confesso meu medo<br />
Meu medo<br />
Meu medo é que se calem meus olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que meus olhos se calem o que há muito já não diz minha boca<br />
Tenho medo que já não me caiba em meus olhos um mundo<br />
Um mundo que em mim já é submerso, absorto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles já calam as despedidas, meus olhos.<br />
Outrora tão serenos, meus olhos cerrados, doídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora inertes trôpegos de uma maldade relutante<br />
E uma saudade relutante<br />
E eu não queria<br />
Eu não queria que alguma coisa em mim<br />
Como os olhos<br />
Se tornasse finita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo é finito.<br />
Desgostoso, admito o fato.<br />
Tudo é finito aos olhos de Deus<br />
E aos olhos do estômago.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meus rins doem<br />
E riem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meus olhos já nada<br />
Nada em meus olhos<br />
Pela tortura da dormente sensação de sofrimento por antecipação<br />
Não sinto meus olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ao fim, que a eles pertence.<br />
Que chegará sem que eu sinta.<br />
Meus olhos morrerão no meio da minha preocupação medíocre<br />
E eu não o saberei, mediocremente, justo por querer sabê-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justo.<br />
Calar-se em meio disso é justo, é nobre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso falo, falo sem pensar, sem parar.<br />
Ajo sem pensar, sem parar.<br />
No fundo no fundo acho que o que eu quero é dessentir.<br />
Por medo de provar do sabor de realidade que ludibrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E eu sinto tanto, sinto muito.<br />
Sem sentir nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida é justa aos que a vivem plenamente.<br />
E eu acho que nunca a vivi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minha vida é nada, minha poesia é nada.<br />
Eu nunca vivi.<br />
Tudo é falsidade, porque nem me permitir sentir, de forma íntegra, eu consigo.<br />
Eu não sei ser íntegro aos olhos que falam.<br />
Aos olhos que cantam<br />
Aos olhos que cegam<br />
Aos que cerram, à noite, em paz.<br />
Os que cerram pra sempre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não mereço o olhar de nenhum cristão falso<br />
Ou pederasta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Matei meus olhos, sufocaram.<br />
Sufocaram de tanta dor não sentida<br />
Eu sinto um vazio no peito.<br />
Eu sinto um vazio.<br />
Vazio é vazio.<br />
Vazio não se sente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim eu adormeço, jurando pra mim mesmo que mereço outro dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há sempre outro dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há sempre outro dia</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há sempre outro dia</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é o que eu mereço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IV</strong><br />
<strong>Lächeln und Verzweiflung –</strong></p>



<h6 class="wp-block-heading">Para Carla Diacov</h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feita<br />
Seleciono silenciosamente gritos<br />
Sempiternos e silenciosos gritos<br />
Ditos no oco de minha alma estática e muda<br />
Onde já não há estática forma<br />
De se dissimular verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que verdade o acaso me espera saber responder, corresponder, adivinhar?<br />
Se não me caibo equilibrar para além dos poros qualquer tropeço<br />
Se a minha carne trêmula veta a possibilidade dos tremores cardíacos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Os tremores cardíacos os quais calo-</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que razão desmensurada me propõe tamanho lirismo?<br />
Que conveniência me propõe tamanho gozo?<br />
Que proficiência assentida pressupõe-me?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chega de dúvidas.<br />
Ao descaber-me dessas, curvo-me ao escuro.<br />
Que ameniza, juntamente aos cigarros.<br />
-Os limitadores de afã- Cigarros.<br />
Porque afã cansa<br />
E eu me sinto cansada.<br />
De espera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mirone da vida teimou em dizer-lhe:<br />
Olha como falha, demente, ao que tanto anseia.<br />
Viciada nas parvoíces do devir.<br />
Viciada na espera.<br />
A paixão já lhe descai naturalmente fugaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sou o acúmulo dos sentimentos néscios.<br />
Eu que me deixo lograr.<br />
E digo assim complexamente, pois fujo.<br />
Que não me permito perceber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Licença poética das medidas provisórias&#8230;<br />
É onde me arranjo, porque meu ganho nessa corja de ideal é quase nada.<br />
Minha cara dada a tapa somente ao vento, que muito maliciosamente bagunça os meus cabelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quisera eu, quem sabe, perceber metade de mim nessa realidade que criei por cima da pele.<br />
Ah, titubeando pro nada a graça de um brado valoroso.<br />
Como sou mesquinha<br />
E leve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avessamente bem quista pelos extremos de mim mesma.<br />
A revolução por dentro da pele<br />
O apaziguamento para além dos poros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como quisera eu ser pra dentro<br />
O que pra dentro eu queria fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>João Urubu</strong> é músico, poeta e compositor da cidade de Belém – PA, graduando de Licenciatura Plena em Letras com Habilitação na Língua Francesa pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Dos três anos como poeta e compositor, passou um ano especificamente trabalhando como compositor de trilhas e diretor musical de teatro)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dedos de Prosa II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 17:40:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
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		<category><![CDATA[O sangue que corre nas veias]]></category>
		<category><![CDATA[prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[Um conto do primeiro livro de Rodrigo Melo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Rodrigo Melo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA1.gif"><img decoding="async" width="550" height="369" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA1.gif" alt="" class="wp-image-3839" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA1.gif 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA1-300x201.gif 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Silvio Crisóstomo</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O SANGUE QUE CORRE NAS VEIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moleque, imaginava que, homem feito, eu seria alguma espécie de guerreiro, herói de batalhas, conquistador (nunca um médico, como meu pai, ou contador). Transformei-me, por fim, num fiscal da Secretaria de Trânsito e Transportes da prefeitura: o bloquinho e a caneta na mão, óculos escuros pro romantismo não morrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ônibus era o 016, linha 20, que entrava pelo Alto do Basílio, cortava Palmares e descia lá na Avenida Esperança, perto da Polícia Federal. Minha função era anotar o número da catraca toda vez que chegássemos ao ponto final, e o objetivo da missão, como o pessoal da Secretaria gostava de falar, era descobrir se o trajeto suportaria um ônibus maior. Eu sabia que não, mas não fazia diferença: os diretores e os seus secretários, com suas caras brutas e mal humoradas, quase nunca seguiam a lógica ou a opinião dos fiscais na hora de tomar as decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu subia e descia as ladeiras olhando para o mar lá embaixo, pensando que, séculos antes, centenas de homens haviam cruzado aquelas águas em busca de riquezas, amores e salvação – o sangue humano, nunca derramado em vão. Agora, cruzando os morros, eu só buscava um pouquinho de emoção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tempo, de uma maneira ou de outra, acabava passando, da mesma forma como passavam as ruas e as janelas que eu investigava. Quem sabe a vida, minha e das pessoas que eu via, se resumisse àquilo: a sombra dos prédios e o sol marcando o asfalto, as tardes sonolentas, uma curiosidade infantil, a melancolia dos lugares e dos dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empreitada acabava perto das sete da noite. O 016 me deixava a dois quarteirões de casa. Eu apertava o passo porque era justamente nessa hora que as costas começavam a doer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquela noite, no entanto, enquanto eu caminhava distraído, coincidentemente pensando na história dos Aqueus (e em Aquiles, que, antes da flechada, vingou Peleu, do jeito que previram), havia uma garota lá, do outro lado da rua, gritando e assobiando pra mim. Tinha mais ou menos vinte e poucos anos, usava um short largo, estilo surfista, um top cor de abóbora e marrom. Linda não era, mas a gente nem sempre pode escolher. O mundo aperta o laço pra quem já passou dos trinta e tantos e não vingou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; E aí, gato, tá afim?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Tô – respondi sem pensar muito. – Quanto é?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Trinta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Ela tinha uma boca carnuda, os seios grandes e pontudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Tenho doze – falei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficamos parados, nos encarando. Fazia frio. Eu pensava que era um tanto Aquiles também, o destemido guerreiro encarando a vida e suas provações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Com doze, gato, é rapidinho – ela disse, a testa franzida, o dedo me apontando a direção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a transcendência e a eternidade nos fundos de uma serraria em alguma noite sem estrelas de um ano que não lembro mais. Eu não sabia se era um guerreiro usufruindo das conquistas da vitória, o fiscal de trânsito e transportes da prefeitura rumo à salvação ou o sujeito ultrapassado e perdido no labirinto dos anos e da vida, gastando a grana do cigarro pra beliscar a alma. Não encontrava a resposta, mas concluí que naquele instante não necessitava encontrar: me bastava sentir, indo um pouco pra frente e pra trás, com os olhos fechados, tentando, entre as pilhas de cedros, vinháticos e putumujús, fazer valer a vida, o sangue que corria nas veias e os meus doze reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>Rodrigo Melo</strong> é ilheense, nascido em 1971, ano do javali, da marcha contra a guerra do Vietnan, ano em que Neruda vingou. De 71 pra cá, escreveu contos, alguns editados em revistas e jornais, e poemas nunca lidos ou mostrados. “O sangue que corre nas veias” (Editora Mondrongo – Ilhéus – BA – 2013) é seu primeiro livro. Se pudesse, começaria com o segundo)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-iv-11/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 15:25:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[(in)verso da metáfora]]></category>
		<category><![CDATA[As nuvens redesenham o azul]]></category>
		<category><![CDATA[Falsidade Ideológica]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Karinne Santiago]]></category>
		<category><![CDATA[não aceitam devolução]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesiaantimonotonia]]></category>
		<category><![CDATA[Poeticaria]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
		<category><![CDATA[visceral]]></category>
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					<description><![CDATA[O traçado visceral dos versos de Karinne Santiago]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Karinne Santiago</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="354" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA6.jpg" alt="" class="wp-image-3814" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA6.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA6-300x193.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Silvio Crisóstomo</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As nuvens redesenham o azul</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a poesia<br />
lambe minha cara<br />
engole a vergonha<br />
e despe a alma<br />
sem espelhos</p>



<p class="wp-block-paragraph">as cicatrizes<br />
são marcas<br />
do que não me partiu (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">feriu<br />
em golpes mestres (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">ou me pariu<br />
num gozo de estrelas (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">a sobra camufla a falta</p>



<p class="wp-block-paragraph">não condecoro a dor<br />
aos meus vazios<br />
janela e ventania</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>(in)verso da metáfora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">sua língua<br />
segredo que dissipa<br />
palavras em paladares<br />
antigo diálogo amante</p>



<p class="wp-block-paragraph">verbos complacentes<br />
ordens sem imperativos<br />
diminutivos ais</p>



<p class="wp-block-paragraph">ditos sem rima<br />
reinscrevo a estrofe<br />
quando deita em mim<br />
o mote</p>



<p class="wp-block-paragraph">sou o (in)verso<br />
da metáfora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">arremato<br />
minha solidão a sua</p>



<p class="wp-block-paragraph">alinhavo vazios</p>



<p class="wp-block-paragraph">moldo minha pele<br />
no contorno dos seus braços<br />
dobro o tempo e amasso</p>



<p class="wp-block-paragraph">ajusto o amor<br />
espeto o dedo<br />
esqueço que esgarça</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>não aceitam devolução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">inexato<br />
traço no lábio<br />
ensaio<br />
esboço de riso</p>



<p class="wp-block-paragraph">quebrou o grafite<br />
nasceu torto<br />
no rosto</p>



<p class="wp-block-paragraph">inacabado</p>



<p class="wp-block-paragraph">porém<br />
expressivo</p>



<p class="wp-block-paragraph">o riso torto</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>Karinne Santiago</strong> é sergipana, mãe de um menino descabelado, poeta e psicóloga. Escreve em redes sociais e em seus blogues: <a href="http://ensaiodaspalavras.blogspot.com.br "><strong>Poeticaria</strong></a> e <a href="http://poesiaantimonotonia.blogspot.com.br "><strong>Poesia Veneno antimonotonia</strong></a>, como colaboradora no <a href="http://poesiafalsidadeideologica.blogspot.com.br/"><strong>Poesia:&nbsp;Falsidade Ideológica</strong></a>. Atualmente, envolvida no projeto de poesia infantil onde convida outros poetas a se aventurarem no universo lúdico das <a href="http://bloguinhodepoesia.blogspot.com.br "><strong>palavras</strong></a>)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-iv-11/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>7</slash:comments>
		
		
			</item>
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/gramofone-11/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 15:06:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos]]></category>
		<category><![CDATA[Condom Black]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Montag]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Otto]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Pra Burro]]></category>
		<category><![CDATA[Sem Gravidade]]></category>
		<category><![CDATA[The Moon 1111]]></category>
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					<description><![CDATA[Larissa Mendes visita o novo disco de Otto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OTTO – THE MOON 1111</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/capa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="326" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/capa.jpg" alt="" class="wp-image-3804" title="The moon 111" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/capa.jpg 350w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/capa-300x279.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo místicos, o “Portal 11:11” foi aberto em 11/01/1992 e teve seu ciclo por um período de 20 anos. Concebido como uma lacuna ou ruptura entre dois mundos, este portal energético estaria ligado ao conceito de sincronicidade, de Jung. Entusiasta de tal filosofia cabalística a qual tem como preceito a coincidência desta combinação numérica (principalmente em relógios digitais), o compositor pernambucano Otto – que possui inclusive uma tatuagem dos dígitos nos dedos – lançou no final de outubro (o álbum chegou às lojas mais precisamente em 11/11) seu mais novo registro de estúdio. Cercado de simbolismos, definitivamente <em>The Moon 1111</em> é um disco conceitual. Influenciado pelo “bombeiro incinerador de livros” Guy Montag, protagonista do filme <em>Fahrenheit 451 </em>(1966), do cineasta francês <em>François Truffaut</em>, o quinto álbum solo do artista mescla música [pop]ular brasileira com a psicodelia de <em>The Dark Side of the Moon</em> (1973), do <em>Pink Floyd</em> e o <em>afrobeat</em> de Fela Kuti, músico nigeriano que <em>Criolo </em>nos ordenou escutar em <em>Mariô.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com uma discografia que transita por diversos estilos, do eletrônico à MPB, do <em>manguebeat</em> ao romântico, a verdade é que Otto sempre foi um transgressor de ritmos (não à toa a banda que o projetou como percussionista atende pelo nome de <em>Mundo Livre S/A</em>), que o digam <em>Samba Pra Burro</em> (1998), <em>Condom Black</em> (2001), <em>Sem Gravidade</em> (2003) e <em>Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos</em> (2009). Ancorado pelos músicos Fernando Catatau (<em>Cidadão Instigado</em>), Dengue e Pupillo (<em>Nação Zumbi</em>), que assumem respectivamente guitarra, baixo e bateria e a co-autoria em diversas canções, o álbum tem a produção também assinada pelo baterista da <em>Nação</em> e conta ainda com a participação do multifacetado Kassin. Figurando em várias listas de melhores discos de 2012, <em>The Moon 1111</em> não tem analogia imediata com nenhum de seus trabalhos anteriores (seria cada álbum o fechamento de um pequeno ciclo?) e, apesar do título lunar é, até então, sua obra mais ensolarada. Gravado entre Peixinhos e São Paulo, o álbum mescla sonoridades orgânicas e experimentais, num paralelo entre a periferia afro <em>(“qualquer favela carrega a África”</em>, disse certa vez o cantor) do Recife e a cosmopolita terra da garoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos primeiros acordes de<em> Dia Claro</em>, canção que abre <em>The Moon 1111</em>, um Otto que parece saído da Jovem Guarda lamenta em <em>off</em>: ‘<em>e pensar que sonhar era só viver/e pensar que amar era só se perder</em>’, para logo desembocar num grito de libertação (<em>era um sofrimento, um tormento, um sentimento que acabou!</em>). A regravação de <em>A Noite Mais Linda do Mundo</em> – autoria de Donizete e famosa na voz de Odair José nos anos 70 – mantém a tônica piegas que permeia todo coração apaixonado. O primeiro <em>single</em> do álbum, a radiofônica <em>Ela Falava</em> – tecnopop oitentista que traz nos vocais a discreta participação da atriz Tainá Muller – parece evocar lembranças peculiares desse tal amor não-linear documentado no álbum. Na sequência, o candomblé eletrônico <em>Exu Parade </em>brinca com a sonoridade do título e eterniza o bordão populesco ‘<em>chupa que é de uva’, </em>presente na<em> </em>música homônima da banda <em>Aviões do Forró. </em>Já<em> The Moon 1111, </em>faixa que dá nome à obra, tem um groove regional que já acompanhava o músico em seu elogiado disco anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda metade do álbum traz <em>Selvagens Olhos, Nego!,</em> homenagem ao <em>rapper </em>paulista Sabotage, morto em 2003. Composta há quase 10 anos, a canção conta com os vocais da jovem cantora paraense Luê Soares nos belos versos ‘<em>a vida bate calada, desafogada, bota pra valer/ensaiou o ano inteiro e por derradeiro, escorreu pelas mãos, entre os dedos</em>’. Se <em>HDeus </em>flerta com uma espécie de disco rígido divino em clima psicodélico, <em>Miss Apple e Zé Pilantra</em> tem batuque e refrão incisivos (<em>na vida tudo clareia/na vida tudo se apaga</em>). Talvez a mais bela canção fique a cargo das cordas de <em>O Que Dirá O Mundo</em>, inspirada parceria com Lirinha (extinto <em>Cordel do Fogo Encantado</em>), onde declara: ‘<em>eu divido contigo minha angústia</em> <em>e o meu</em> <em>pão</em>’. A ousada <em>DP (</em>gíria para dupla penetração) encerra o álbum celebrando o erotismo. Ao mesmo tempo em que Otto visita uma estética retrô-futurista, as 10 faixas de <em>The Moon 1111</em> confirmam sua singularidade artística e apontam para “um novo começo de era”, onde todo aparente cenário caótico é transformador e revolucionário.&nbsp; Se ‘<em>o melhor da vida é quando a vida se acaba</em>’, não podemos dizer o mesmo sobre o álbum.&nbsp; Bora lá decorar o conteúdo desta obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="http://www.youtube.com/embed/IjrPb_oEtpE" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>Larissa Mendes</strong> é dona de ouvidos lusco-fuscos e tem na Diversos Afins seu portal particular) </em></p>
</blockquote>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/drops-da-setima-arte-11/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 14:53:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Murray]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívar Landi]]></category>
		<category><![CDATA[Bruce Willis]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[Frances McDormand]]></category>
		<category><![CDATA[Jared Gilman]]></category>
		<category><![CDATA[Kara Hayward]]></category>
		<category><![CDATA[Moorise Kingdom]]></category>
		<category><![CDATA[Os Excêntricos Tenenbaums]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Roman Coppola]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem a Darjeeling]]></category>
		<category><![CDATA[Wes Anderson]]></category>
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					<description><![CDATA[O filme Moonrise Kingdom é tema da resenha de Bolívar Landi]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Bolívar Landi</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><br />
</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Moonrise Kingdom. EUA. 2012.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/CARTAZ.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="331" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/CARTAZ.jpg" alt="" class="wp-image-3791" title="Moonrise Kingdom " srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/CARTAZ.jpg 331w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/CARTAZ-220x300.jpg 220w" sizes="auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diretor norte-americano Wes Anderson (&#8220;Os Excêntricos Tenenbaums&#8221; e &#8220;Viagem a Darjeeling”) é reconhecido por seu perfeccionismo formal e por exibir em seus filmes um mundo particular povoado por personagens excêntricos que quase sempre apresentam algum tipo de desajuste social ou afetivo. Ele está longe de ser uma unanimidade. Seus detratores condenam os exageros e as “afetações” de seus trabalhos, outros conseguem enxergar nele a genialidade de grandes mestres, como o do seu conterrâneo Woody Allen, que imprimem em sua obra uma marca própria, tornando-a inconfundível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moonrise Kingdom, o novo trabalho do diretor, traz todas as características recorrentes em suas criações, no entanto, este não é um filme fácil de ser rotulado ou enquadrado em um determinado gênero. Ele é conduzido em tom de fábula unindo realidade a acontecimentos fantásticos, tornando-se assim rico em simbolismos e metáforas cujos sentidos vão além do que é meramente apresentado na tela. Se fôssemos descrever a história, não encontraríamos nada assim tão surpreendente. Contudo, não está aí o ponto forte da produção, o que impressiona mesmo é a forma que a narrativa é contada. As situações simples parecem adquirir um maior relevo e todos os elementos cinematográficos encaixam-se perfeitamente como em uma harmoniosa sinfonia ou nos movimentos mágicos de um malabarista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é à toa que Anderson faz uma referência aos instrumentos musicais na película, a todo momento sentimos a sua presença a reger uma enorme orquestra. Tudo conduz sinestesicamente o espectador a se envolver com a trama. Os dinâmicos movimentos de câmera parecem nos colocar no interior de cada acontecimento e os enquadramentos da tela fazem com que vejamos através dos olhos dos personagens. A envolvente trilha sonora tem o poder de nos transportar para outros mundos. O artifício da narração e da leitura utilizado pelo roteiro cria um clima de cumplicidade ímpar com a história e seus intérpretes. As cores (em tons pastéis), o apurado figurino do anos 60, as encenações teatrais, tudo contribui para que os amantes do cinema sintam prazer do início ao fim da exibição. Algo mágico, difícil de ser descrito, instala-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I2.jpg"><img decoding="async" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I2.jpg" alt=""/></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A trama se passa no verão de 1965 em uma fictícia ilha (New Penzance) na costa da Nova Inglaterra. Ela irá mostrar a aventura de um garoto (Jared Gilman) e uma garota (Kara Hayward) de 12 anos que se enamoram e decidem fugir juntos. A partir daí, viajaremos também em uma jornada sobre as descobertas do amor, amizade, companheirismo e dos percalços que marcam a passagem da infância para a vida adulta no melhor estilo de grandes filmes como Conta comigo (1986), de Rob Reiner, protagonizado por pequenos astros do cinema e baseado em um conto de Stephen King.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os personagens do pessimista universo adulto são interpretados por grandes nomes do cinema. Bruce Willis desempenha o papel do carente e solitário policial da ilha; Bill Murray e Frances McDormand (Fargo), pais da protagonista, representam um casal de advogados que se sentenciam a viver uma relação fracassada e, Edward Norton, um desencontrado professor de matemática, incorpora o chefe dos escoteiros no seu tempo livre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moonrise Kingdom foi esnobado pelo Oscar 2013, sendo indicado apenas à categoria de roteiro original, assinado por Anderson e Roman Coppola. É, contudo, uma obra não usual que necessita ser descoberta. Um filme milimetricamente pensado e perfeitamente lapidado como um brilhante que brinca e arrisca com as formas e a arte de fazer cinema. Tudo isto, no entanto, sem perder a delicadeza e explorando com grande propriedade as sutilezas do sentimento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="http://www.youtube.com/embed/oOTg7mn8vgM" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(</em><strong><em>Bolívar Landi</em></strong><em> é formado em Comunicação Social e História, permanentemente encantado com a capacidade do cinema de reunir em um só espaço múltiplas linguagens e expor confidencialmente as minúcias da alma humana)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-v-11/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 14:32:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[Casa em dezembro]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[lirismo]]></category>
		<category><![CDATA[Navegantes]]></category>
		<category><![CDATA[Sandrio Cândido]]></category>
		<category><![CDATA[Tereza]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
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					<description><![CDATA[Sandrio Cândido entoa seu canto de mistério e busca]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><em>Sandrio Cândido</em></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="366" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA5.jpg" alt="" class="wp-image-3775" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA5.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA5-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Casa em dezembro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saudade queima os campos interiores<br />
crepúsculos ardem na garganta.<br />
Minhas paisagens estão ficando para trás<br />
as cinzas do ontem transpassam-me</p>



<p class="wp-block-paragraph">o tempo tem fome do meu corpo<br />
fontes soterradas me gritam<br />
as cadeiras pairam no pensamento<br />
esburacando o enxame de ausências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acendo o fogão a lenha<br />
o rio em meus olhos ficou poluído<br />
dentro os corpos apodreceram</p>



<p class="wp-block-paragraph">os rostos límpidos fecharam-se nos espelhos<br />
dói-me os passos encravados no antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tereza</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dedos molhados na luz<br />
escavam a pedra de sal no coração<br />
abre fendas no espelho calcinado<br />
em busca da fonte.<br />
Existe uma porta em cada silêncio<br />
uma janela onde pousa a ave branca<br />
flores de arame guardam a paisagem<br />
rosas em chamas trancam a passagem.<br />
Nas pontes escorregadias<br />
desliza o nome pronunciado no bosque<br />
plantado dentro da fome.<br />
Atravesso com os passos cansados<br />
a praia do silêncio<br />
estendo as mãos feridas<br />
escavo<br />
dentro da pedra existe um lírio branco<br />
dentro dos olhos uma estrada esquecida.<br />
As palavras grávidas semeiam lâmpadas<br />
desejam parir um caminho<br />
arder a solidão em outra solidão<br />
fazer crescer um jardim por dentro da fome.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Navegantes</strong></p>



<h6 class="wp-block-heading">&#8220;Desveladas correntezas para aportar&#8221;<br />
Roberta Tostes Daniel</h6>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Desértica palavra veste o meu canto<br />
tenho sede<br />
cobertores de areia envolvem meus lábios.<br />
Agacho os ouvidos<br />
tento ouvir os sussurros de Deus<br />
agasalhando meu cansaço<br />
é inútil<br />
ele se nega a dizer o meu nome<br />
enquanto isso<br />
o fogo consome meus passos<br />
as tábuas da vida queimam lentamente<br />
um pouco de mim escoa sem rumo<br />
tenho pouco tempo<br />
a chuva tarda em beijar os meus lábios<br />
meu coração rachado não comporta flores<br />
espero ansioso chegar o jardineiro<br />
plantar as ramas da luz na escuridão<br />
cultivar lírios brancos<br />
onde crateras empoeiradas avançam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>Sandrio Cândido</strong> (1991), reside em Curitiba (PR) onde cursa Filosofia. Possui poemas publicados na <a href="http://www.mallarmargens.com/"><strong>Mallarmargens</strong></a> revista de poesia e arte contemporânea, <a href="http://www.revistazunai.com/"><strong>Zunái</strong></a> Revista de poesia e debates e em outros espaços virtuais. Edita o blog <a href="http://aalmaearosa.blogspot.com.br/"><strong>A alma e a rosa</strong></a>. Email: </em><a href="mailto:sandriocp@yahoo.com.br"><em>sandriocp@yahoo.com.br</em></a><em>)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-8/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 14:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[A lagoa de Cubelli]]></category>
		<category><![CDATA[argentino]]></category>
		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Sorrentino]]></category>
		<category><![CDATA[jacarés]]></category>
		<category><![CDATA[Regina Drummond]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=3761</guid>

					<description><![CDATA[A atmosfera fabular na narrativa de Fernando Sorrentino]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Fernando Sorrentino</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="362" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA4.jpg" alt="" class="wp-image-3762" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA4.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA4-300x197.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A lagoa de Cubelli*</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É a sudoeste da planície de Buenos Aires que se situa a lagoa de Cubelli, familiarmente conhecida como “Laguna do Jacaré Bailarino”. Este nome popular é expressivo e interessante, mas – assim como o dr. Ludwig Boitus demonstrou – não corresponde à realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, “lagoa” e “laguna” são acidentes geográficos distintos. Em segundo, se bem que o jacaré caimã – <em>Caiman yacare</em> (Daudin), da família <em>Alligatoridae</em> – seja próprio da América, acontece que essa lagoa não é, efetivamente, o habitat de nenhuma espécie de jacaré.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas águas são extremamente salobras, e tanto sua fauna quanto a flora são típicas daquelas que se desenvolvem no mar, razão pela qual não se pode considerar anormal o fato de que essa lagoa conte com uma população de cerca de 130 crocodilos marinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “crocodilo marinho” ou <em>Crocodilus porosus</em> (Schneider) é o maior de todos os répteis vivos. Pode chegar a 7 metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada. O dr. Boitus afirma ter visto, nas costas da Malásia, vários exemplares que superavam os 9 metros e, com efeito, ele tirou fotografias e trouxe-as com o objetivo de provar a existência de animais desta magnitude. Como eles foram, no entanto, fotografados em águas marinhas e sem pontos externos de referência, tornou-se impossível determinar com precisão se os crocodilos em questão tinham realmente a dimensão que lhes atribui o dr. Boitus. Seria um absurdo, naturalmente, duvidar da palavra de um pesquisador tão criterioso e com tão brilhante trajetória (apesar da linguagem um pouco barroca), mas o rigor científico exige a validação dos fatos segundo métodos inflexíveis, que, nesse caso específico, não foram colocados em prática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, acontece que os crocodilos da lagoa de Cubelli possuem exatamente todas as características taxonômicas dos que vivem nas águas perto da Índia, da China e da Malásia, razão pela qual, com toda a legitimidade, lhes caberia o taxativo nome de crocodilos marinhos ou <em>Crocodili porosi</em>. Eles apresentam, entretanto, algumas diferenças, que o dr. Boitus dividiu em <em>características morfológicas</em> e <em>características etológicas</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as primeiras, a mais importante (ou, melhor dizendo, a única) é o tamanho. Assim como o crocodilo marinho da Ásia alcança os 7 metros de comprimento, a espécie que encontramos na lagoa de Cubelli apenas atinge, no melhor dos casos, os 2 metros, medindo-se do começo da bocarra até a ponta do rabo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com respeito a sua etologia, este tipo de crocodilo, segundo Boitus, “tem uma queda pelos movimentos musicalmente harmônicos” (ou, mais simplesmente, é um “bailarino”, como é chamado pela gente do povoado de Cubelli). É sabido que os crocodilos, quando estão em terra, são tão inofensivos quanto um bando de pombas. Eles só podem caçar e matar dentro da água, que é o seu elemento vital. Apertando a presa entre as mandíbulas cheias de dentes e imprimindo a si mesmos um rápido movimento de rotação, fazem com que essa gire até a morte. Seus dentes não têm uma função mastigatória, são desenhados unicamente para aprisionar a vítima, que engolem inteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se formos até as margens da lagoa de Cubelli e colocarmos em funcionamento um aparelho que toque música, de preferência a escolha recaindo sobre temas dançantes, adequados a um baile, em seguida veremos que – não digamos todos – quase todos os crocodilos sairão da água e, uma vez em terra, começarão a dançar ao compasso da melodia em questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por essas razões anatômicas e comportamentais, esse sáurio recebeu o nome de <em>Crocodilus pusillus saltator</em> (Boitus).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seus gostos são amplos e ecléticos, e não parecem distinguir entre músicas esteticamente valiosas e outras de méritos escassos. Recebem com igual alegria e boa disposição tanto as composições sinfônicas para balé quanto os ritmos vulgares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os crocodilos dançam de pé, apoiando-se apenas nas patas traseiras, de maneira que, verticalmente, atingem uma estatura média de um 1,70 centímetros. Para não arrastar o rabo pelo chão, eles o elevam a um ângulo reto, colocando-o quase paralelo ao corpo. Enquanto isso, as extremidades dianteiras (que bem poderíamos chamar de mãos) seguem o compasso com toda uma série de gestos simpáticos, e seus dentes amarelados mostram um enorme sorriso de otimismo e satisfação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A algumas pessoas do povoado não atrai absolutamente a ideia de dançar com os crocodilos, mas muitas outras não compartilham dessa rejeição e o certo é que, todos os sábados, ao entardecer, essas últimas se vestem com suas melhores roupas e vão para as margens da lagoa. Nelas, o clube social e esportivo de Cubelli instalou tudo que é necessário para tornar inesquecíveis as reuniões. Os visitantes podem até mesmo jantar em um restaurante que se localiza a poucos metros da pista de dança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os braços de um crocodilo são curtos e não alcançam o corpo do parceiro ou parceira. Os cavalheiros e as damas que dançam, segundo o caso, com o crocodilo fêmea ou macho que o escolheu, apoia cada uma de suas mãos em um dos ombros do outro. Para realizar essa operação, convém esticar os braços ao máximo e manter uma certa distância. Como os crocodilos têm um focinho muito pronunciado, a pessoa que dança com eles deve ter a precaução de jogar o corpo para trás, mantendo-se o mais longe possível (se bem que pouco se tem notícia de episódios desagradáveis, tais como extirpação de nariz, esmagamento de globo ocular ou decapitação). E também não se deve esquecer de que, como entre os seus dentes podem ser encontrados restos de cadáveres, seu hálito deixa muito a desejar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os cubelianos corre uma lenda que diz que na pequena ilha situada no meio da lagoa moram o rei e a rainha dos crocodilos, de onde, segundo parece, eles jamais saíram. Comenta-se que esses exemplares já ultrapassaram os 2 séculos de vida e, talvez por causa da idade avançada, ou mesmo por mero capricho, jamais desejaram participar dos bailes promovidos pelo clube.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As reuniões não costumam passar da meia noite, porque, nessa hora, os crocodilos começam a ficar cansados e talvez mesmo a se aborrecer. Além do mais, é a hora da fome e, posto que o acesso ao restaurante lhes é vedado, devem voltar para a água em busca de comida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando chega o momento em que não resta mais nenhum crocodilo em terra firme, as damas e cavalheiros retornam ao vilarejo bastante cansados, e um pouco tristes, mas com a esperança de que, quem sabe no próximo baile, ou em outro dia qualquer, mesmo que distante, o rei ou a rainha dos crocodilos, ou talvez mesmo ambos, simultaneamente, abandonem por algumas horas a ilhota central e participem da festa. É com essa expectativa que cada cavalheiro, ainda que não o demonstre, guarda a ilusão de que será escolhido como parceiro de dança da rainha dos crocodilos. O mesmo acontece com as damas, que sonham ser o par do rei.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em> Tradução: Regina Drummond (<a href="mailto:regina-drummond@uol.com.br">regina-drummond@uol.com.br</a>)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<a href="http://www.fernandosorrentino.com.ar/ "><strong>Fernando Sorrentino</strong></a> nasceu em Buenos Aires. É professor de Língua e Literatura e tem publicados livros de contos, novelas, infanto-juvenis, ensaios e antologias. Colaborou com jornais e revistas diversos e atuou como tradutor de livros de ficção e entrevistas) </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética VI</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-vi-5/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 13:52:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[A Última Ceia]]></category>
		<category><![CDATA[Desistência]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Patuá]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Outro dia de folia]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Pomba-gira. ou do Apocalipse]]></category>
		<category><![CDATA[Por um Fio]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
		<category><![CDATA[vestígios]]></category>
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					<description><![CDATA[Vestígios da folia poética de Eduardo Lacerda

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Eduardo Lacerda</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="366" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA3.jpg" alt="" class="wp-image-3756" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA3.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA3-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pomba-gira. ou do Apocalipse</strong></p>



<h6 class="wp-block-heading"></h6>



<h6 class="wp-block-heading">Para Alessandra Cantero</h6>



<h6 class="wp-block-heading">Um pouco a dormir, um pouco a cochilar;<br />
outro pouco deitado de mãos cruzadas, para dormir.</h6>



<h6 class="wp-block-heading">(Provérbios 24:33)</h6>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Não me lembro bem</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando cruzei</p>



<p class="wp-block-paragraph">as pernas</p>



<p class="wp-block-paragraph">pela primeira</p>



<p class="wp-block-paragraph">vez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">/Talvez os corpos</p>



<p class="wp-block-paragraph">aprendam</p>



<p class="wp-block-paragraph">com</p>



<p class="wp-block-paragraph">os seus extremos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">É impossível</p>



<p class="wp-block-paragraph">(pedindo)</p>



<p class="wp-block-paragraph">cerrar os punhos</p>



<p class="wp-block-paragraph">cruzando os dedos./</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sei que sempre, e<br />
antes, já cruzava<br />
os braços com<br />
alguma</p>



<p class="wp-block-paragraph">habilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cruzar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo é indeciso<br />
com seus vários</p>



<p class="wp-block-paragraph">defeitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo, e seus<br />
muitos medos</p>



<p class="wp-block-paragraph">contraindo-<br />
se sobre<br />
-si</p>



<p class="wp-block-paragraph">mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é o momento final</p>



<p class="wp-block-paragraph">(apocalipse</p>



<p class="wp-block-paragraph">do corpo)</p>



<p class="wp-block-paragraph">a que chegamos</p>



<p class="wp-block-paragraph">em pecado:</p>



<p class="wp-block-paragraph">cruzar o amor</p>



<p class="wp-block-paragraph">ao corpo</p>



<p class="wp-block-paragraph">do ser</p>



<p class="wp-block-paragraph">amado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Última Ceia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há regras à mesa<br />
como em um brinquedo<br />
de quebra-cabeça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">/ E eu não entendo<br />
os dispostos à esquerda</p>



<p class="wp-block-paragraph">dos pais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Restos do pequeno<br />
que sentavam ao meio</p>



<p class="wp-block-paragraph">da mesa (como prato<br />
que se enche<br />
e procura lugar entre<br />
as pessoas). /</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já não me encaixo<br />
depois que aprendi</p>



<p class="wp-block-paragraph">a olhar de lado<br />
e sair por baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desistência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como à cama há pouco tempo<br />
nos olhávamos em silêncio<br />
hoje, nossos ossos, esqueletos<br />
encaram-se, em paralelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comungados da mesma hóstia<br />
repartida e azeda / dois exércitos<br />
negros, iguais, porém divididos<br />
por um mesmo tabuleiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">: o ódio</p>



<p class="wp-block-paragraph">, encarnando-se por este alimento<br />
toda parte de um corpo<br />
tanta carne sobre</p>



<p class="wp-block-paragraph">ossos</p>



<p class="wp-block-paragraph">que a vida é quem nos indaga:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Ainda haverá sangue?</p>



<p class="wp-block-paragraph">/ a tristeza</p>



<p class="wp-block-paragraph">é que</p>



<p class="wp-block-paragraph">na vida não se</p>



<p class="wp-block-paragraph">pode,</p>



<p class="wp-block-paragraph">como no jogo</p>



<p class="wp-block-paragraph">o roque /</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por um Fio</strong></p>



<h6 class="wp-block-heading">Para Aline Rocha</h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pálpebra revela,<br />
quando se fecha, que se<br />
ajoelha ao que deseja<br />
e se curva ao que espera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela não vê, está cega.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ainda que esfregue<br />
os olhos, ela mesma</p>



<p class="wp-block-paragraph">não se enxerga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ela esconde, de sua retina<br />
que se arregala,</p>



<p class="wp-block-paragraph">e brilha (como cortina<br />
que uma festa encerra)</p>



<p class="wp-block-paragraph">tudo aquilo</p>



<p class="wp-block-paragraph">ao que se destina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O seu destino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(ela está presa, pele<br />
cárcere que se repete</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sísifo.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">/ Carrega em sua cabeça<br />
cada peça do que pede:</p>



<p class="wp-block-paragraph">tímida como quem reza. /</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cruza os dedos, arranca os cílios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela realizará à força</p>



<p class="wp-block-paragraph">o que é pedido,</p>



<p class="wp-block-paragraph">mas parece promessa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chora?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um cisco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>(<strong>Eduardo Lacerda</strong>,<strong> </strong>autor do livro de poemas “Outro dia de folia” (Editora Patuá),<strong> </strong>nasceu em Porto Alegre, mas vive em São Paulo, cidade que ama, desde os dois anos de idade. Cursou Letras na Universidade de São Paulo, mas não concluiu o curso. Como um legítimo geminiano, também não conseguiu concluir nada até hoje. Atualmente, é coeditor da<a href="http://www.editorapatua.com.br/"> <strong>Editora Patuá</strong></a>, onde acredita que livros são amuletos. Tem poemas publicados em revistas eletrônicas e impressas. Não se considera poeta. Sua paixão, editando, é fazer nascerem livros e poetas) </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Olhares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 13:28:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[76ª Leva - 02/2013]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[imediatismo]]></category>
		<category><![CDATA[metrópole]]></category>
		<category><![CDATA[Não existe amor em SP]]></category>
		<category><![CDATA[Olhares]]></category>
		<category><![CDATA[pressa]]></category>
		<category><![CDATA[ritos silentes]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Silvio Crisóstomo]]></category>
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					<description><![CDATA[A poesia oculta de São Paulo nos registros fotográficos de Silvio Crisóstomo

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RITOS SILENTES &#8211; A SÃO PAULO DE SILVIO CRISÓSTOMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="340" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I1.jpg" alt="" class="wp-image-3742" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I1.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-I1-300x185.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo um mar de saliências e reentrâncias. Tudo a cortina invisível que paira sobre almas. Na vastidão da matéria, um imperceptível fio das horas vai alimentando espaços, perscrutando os becos do homem. Há uma curiosa ordem no silêncio ruidoso da metrópole. Ainda uma São Paulo que desampara e repulsa os seus. Ainda uma cidade que apascenta sonhos, fugas, delírios e bebe os prazeres da cosmovisão. Em meio a isso tudo, o olhar do fotógrafo, num contínuo ato poético, varre as alamedas do despercebido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O andarilho da luz em questão é <a href="http://www.flickr.com/photos/silviocrisostomofotografo/"><strong>Silvio Crisóstomo</strong></a>, dono de um olhar que subverte o óbvio e o torna caminho viável da criação. Sua trajetória na construção das imagens nem de longe se presta a representações exasperadas do real. Interessam-lhe mesmo as esferas sutis que seres, lugares e atmosferas de abstração ousam descortinar por entre os dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-II1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="322" height="600" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-II1.jpg" alt="" class="wp-image-3743" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-II1.jpg 322w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-II1-161x300.jpg 161w" sizes="auto, (max-width: 322px) 100vw, 322px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Silvio é um ser de espanto na medida em que transita errante por uma cidade e seus tons repletos de mistérios. Ele mesmo revela não ser um apaixonado por São Paulo. O resultado disso é um comportamento que lhe rende uma observação isenta de afetações e deslumbramentos. Por suas lentes, a lira colossal paulistana compõe um vasto painel de estranhamentos. E é assim, com resignado afastamento afetivo, que a selva de pedra reina sublime e nada usual nos registros do artista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nascido em Maceió, Alagoas, Silvio reside em São Paulo desde a mais tenra idade. Atraído pelo imprevisível, seus trabalhos assumem um caráter essencialmente intuitivo, sem amarras pré-definidas e com o gosto incessante pelo mistério encerrado nas coisas. Admirador de fotógrafos como Andreas Gursky e Thomas Farkas, revela que suas maiores referências estão nas artes plásticas e no cinema. Em seu caminhar, estão inclusas diversas exposições e eventos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-III2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="391" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-III2.jpg" alt="" class="wp-image-3744" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-III2.jpg 550w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2013/02/INTERNA-III2-300x213.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao percorrer a maior cidade da América Latina, Silvio Crisóstomo fala-nos também de uma megalópole estrangeira a muitos de seus naturais. Uma espécie de vazio impresso pela dinâmica corriqueira dos habitantes emerge dos rastros civilizatórios. E em meio à sinfonia de concreto, regida pelas mais variadas perspectivas de intervenção arquitetônica, pulsa, ainda desconhecida e neglicenciada pela voracidade da pressa e do imediatismo, a poesia escondida das horas. A cada um, por seu curso, é dado lê-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="http://www.youtube.com/embed/QLtg6dnvurI" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>*</em><em> As fotografias de Silvio Crisóstomo são parte integrante da galeria e dos textos presentes na 76ª Leva</em></p>



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