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	<title>100ª Leva &#8211; 03/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Drops da Sétima Arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Apr 2017 16:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
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					<description><![CDATA[Guilherme Preger aborda as complexas vias de “A garota desconhecida”, novo filme dos irmãos Dardenne

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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Guilherme Preger</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Garota Desconhecida (</strong><strong><em>La fille inconnue</em></strong><strong>). Bélgica/França. 2016.</strong></p>



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<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/CARTAZ-menor.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="308" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/CARTAZ-menor.jpg" alt="" class="wp-image-13411" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/CARTAZ-menor.jpg 308w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/CARTAZ-menor-205x300.jpg 205w" sizes="(max-width: 308px) 100vw, 308px" /></a></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph">Cada filme dos irmãos Dardenne é um enigma. Ou será melhor dizer, um problema?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fortemente influenciados pelo cinema de Robert Bresson, que adotou uma estética antinaturalista, com não atores, para abordar temas teológicos, os diretores belgas também usam atores desconhecidos ou não atores, mas caminham num sentido contrário para um naturalismo ligado a temas bastante terrenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida, os maravilhosos filmes de Bresson eram muito mais radicais do que os dos Dardenne, mas, mesmo assim, os filmes dos irmãos belgas destoam de quase toda a produção contemporânea por uma peculiar estranheza que lhes é muito característica. <em>A garota desconhecida</em> não foge a essa regra, pois é um filme inclassificável, ímpar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jovem médica Jenny Davin (Adèle Haenel) trabalha numa clínica como substituta do médico principal e é tutora de um estagiário. Numa noite, após o horário de fechamento da clínica, Jenny se recusa a atender o chamado de um possível paciente. No dia seguinte, a médica descobre que o suposto cliente era, na verdade, uma jovem africana, negra, que fora assassinada perto da clínica. As câmeras de segurança revelam que a jovem estava sendo perseguida e procurara refúgio na clínica, mas que, sem conseguir, acaba sendo morta.&nbsp;&nbsp; Sentindo-se culpada e responsável pela morte da jovem, Jenny procura descobrir sua identidade para comunicar à família o falecimento, pois a jovem seria enterrada como indigente. Nessa busca pela identidade e para saber as causas da morte, a jovem coloca sua vida em risco e muda os rumos de sua carreira.</p>



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<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Adèle-Haenel-interpretando-a-médica-Jenny-foto-Christine-Plenus-Menor.jpg"><img decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Adèle-Haenel-interpretando-a-médica-Jenny-foto-Christine-Plenus-Menor.jpg" alt="" class="wp-image-13413" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Adèle-Haenel-interpretando-a-médica-Jenny-foto-Christine-Plenus-Menor.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Adèle-Haenel-interpretando-a-médica-Jenny-foto-Christine-Plenus-Menor-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Adèle Haenel interpretando a médica Jenny / Foto: Christine Plenus</figcaption></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph">O filme é construído dentro da estética naturalista típica de seus diretores: luz natural, som direto, atores desconhecidos agindo com absoluta cotidianidade. Uma das marcas dessa estética é a absoluta ausência de música extradiegética. No entanto, todo esse naturalismo é deslocado pela forma narrativa próxima da fábula moral. A ação se passa em Liège, mas poderia acontecer em qualquer outra cidade. Os diretores nos oferecem uma fábula cinematográfica num registro quase documental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A câmera na mão dos diretores persegue a inquietude de sua protagonista em seus deslocamentos por sua cidade em busca de indícios sobre o assassinato. Os filmes dos irmãos Dardenne sempre apresentam personagens opacas ou mesmo insondáveis, sobretudo mulheres. Por sua obstinação, Jenny se parece com Rosetta, do filme ganhador de Cannes em 1999, e Sandra, de Dois dias e uma noite (2014). Todas as três são mulheres que, em suas incessantes deambulações, caminham decididas pelo cumprimento de alguma tarefa, imperativa como uma lei autoimposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra similaridade entre essas personagens femininas é sua absoluta simplicidade pessoal. Roupas surradas, sem qualquer maquiagem ou cosmético, há também nelas a ausência de qualquer adereço como clichê de feminilidade, evitando a erotização forçada que transforma no cinema as mulheres em objeto do desejo fálico ou voyeurístico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jenny vive uma vida simples dedicada aos seus clientes. Seu apartamento tem apenas arquivos mortos. Não há nenhuma referência à sua família. Poder-se-ia dizer que os clientes, com os quais se preocupa, seriam sua família, mas Jenny é absolutamente profissional. Ela diz a seu estagiário que para ser um bom médico é preciso deixar o afeto e a emoção de lado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa desafeição emotiva é uma característica das personagens do cinema dos Dardenne. Esse é um dos motivos que as tornam muitas vezes estranhas e impenetráveis. A estranheza de Jenny gera uma ambiguidade no filme. A garota desconhecida do título pode ser a moça africana morta e cujo nome se desconhece, mas pode ser também Jenny, cujos sentimentos não são facilmente discerníveis pelos espectadores.&nbsp; O efeito de não sentimentalidade, acentuado pela ausência de música extradiegética, impede uma identificação imediata do público com a personagem. Essa secura emotiva é um dos elementos de força dos filmes dos irmãos belgas, exatamente porque se impõem como um problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa ausência de sentimentalidade não torna as personagens insensíveis. Jenny justamente é a protagonista que cuida e se preocupa com os outros. Quando seu estagiário abandona a carreira de médico, justamente por não ser capaz de evitar o afeto, ela tenta demovê-lo de sua decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a decisão com que Jenny assume a responsabilidade de reparar seu erro é a força que movimenta o filme. Esta é mais poderosa do que um sentimento de culpa que poderia se tornar um sentimento imobilizante.&nbsp; Mesmo que seu erro tenha sido involuntário, mesmo que afinal seja irreparável, ela busca uma remissão possível. Esse sentimento de responsabilidade é mais forte do que qualquer sentimentalismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua ação é fundamentalmente ética: Jenny simplesmente se coloca a responsabilidade de agir, mesmo que isso signifique não apenas riscos, mas o desagrado da cidade: dos policiais, de vizinhos, e de clientes.</p>



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<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Destaques-e-interna-2-Foto-divulgação.jpg"><img decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Destaques-e-interna-2-Foto-divulgação.jpg" alt="" class="wp-image-13414" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Destaques-e-interna-2-Foto-divulgação.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2017/04/Destaques-e-interna-2-Foto-divulgação-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Cena do filme &#8220;A Garota Desconhecida&#8221;/ Foto: Divulgação</figcaption></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph">Essa firmeza ética da protagonista lembra a grandeza das grandes personagens femininas de Brecht, em particular Jenny, a pirata, conhecida no Brasil como a Geni, da peça de Chico Buarque, personagem da qual o nome da médica provavelmente é devedor. Ou ainda Joana, a dos Matadouros, de outra peça brechtiana.&nbsp; Ou como Joana D’arc, personagem legendária da obstinação e firmeza de caráter.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como todas essas personagens, Jenny sabe que precisa prosseguir no caminho que traçou para si, suportando as consequências de sua decisão. E como todas essas personagens famosas, sofrerá o mal estar social e a insatisfação que se mobiliza contra aqueles que lutam pelo desígnio da justiça, pois esta desarruma a ordem estabelecida, baseada no silêncio, na violência e na acomodação mútua. E é assim que o desejo pessoal de reparação deixa de ser simplesmente uma questão egoísta de pacificar a consciência individual e ganha uma amplitude social e política. A aventura ética de Jenny se torna também uma jornada feminista de resistência contra o machismo. Em várias cenas do filme, personagens masculinos agridem ou ameaçam fisicamente Jenny.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa <a href="http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,os-dardennes-assinam-com-a-garota-desconhecida-seu-filme-talvez-mais-polemico,70001675988"><strong>entrevista</strong></a> a um jornal brasileiro, os diretores disseram: “<em>Vivemos num mundo predominantemente masculino. Existe, e não se pode dizer que sem motivos, essa desconfiança muito forte com o mundo muçulmano, visto como ameaça. Nesse mundo, em especial, estamos convencidos de que a mulher representa o futuro</em>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A Garota Desconhecida</em> não foi bem recebido pela crítica especializada e chegou mesmo a ser vaiado em Cannes na sessão para a imprensa. Por causa das críticas, a versão definitiva que chega aos cinemas foi encurtada em alguns minutos. Apesar disso, os diretores insistem que é o filme mais radical deles. A reação negativa talvez seja a parte do esperável por ser um filme que se apresenta como problema, cuja economia de meios evita qualquer adesão fácil. Mas a obra é o acontecimento inesperado que produz uma abertura de horizontes. Como diz Jean-Pierre Dardenne, em outra <a href="https://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/festival-de-cannes-irmaos-dardenne-sao-vaiados-com-o-drama-social-a-garota-desconhecida/"><strong>entrevista</strong></a>: <em>&#8220;Fazemos um cinema simples visualmente, sem adereços, sem excessos de luz, para mostrar que ainda é possível crer na esperança&#8221;</em>.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/iuOln_WaSxI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Guilherme Preger</em></strong><em>, carioca, é engenheiro e escritor. É autor de Capoeiragem (7Letras/2003) e Extrema Lírica (Ed. Oito e Meio/2014), e um dos organizadores do coletivo literário Clube da Leitura no Rio de Janeiro, tendo participado como autor e editor das três coletâneas lançadas pelo grupo. Atualmente, é doutorando em Teoria Literária da UERJ, onde realiza pesquisa sobre a aproximação entre Literatura e Ciência. Escreve sobre cinema desde 1995, quando recebeu um prêmio de crítica literária do Grupo Estação e do Jornal do Brasil num ensaio sobre o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.</em></p>
</blockquote>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:56:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Editorial da 100ª Leva]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna8.jpg" alt="Gabriel Rastelli Quintão" class="wp-image-9753" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna8.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna8-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma centena é muito mais do que um mero marco numérico. Em se tratando de caminhos editoriais, significa um avançar teimoso ante as curvas do tempo. Há quem resuma esse conjunto de ações que agregam literatura e artes como sendo uma prova irrefutável de resistência. Tal atributo é positivo na medida em que a valorização do presente seja a tônica central das considerações. A revista Diversos Afins tem passado, tenciona um futuro, mas volta seus olhos especialmente para o agora, pois este representa a confirmação de apostas e expectativas múltiplas. É difícil mensurar com precisão como um projeto dessa monta pode vir a se consolidar. Quem vasculhar nossa história perceberá quão diferente estamos hoje para aquela primeira Leva de escritos e expressões. O ano era 2006 e tudo começava de modo bastante incipiente, quiçá até pueril. &nbsp;Mas o fato de maior relevância é saber que não havia um produto fechado em nossas mãos. Quando se fala em desengavetar expressões, não se pretende apenas idealizar colaborações, mostrá-las ao mundo, mas, sobretudo, aprender com elas. O caminho de publicações até aqui trilhado mostra um permanente desejo de seguir adiante por meio do experimentar de novos saberes e sabores. Não há verdades hegemônicas, apenas um processo de intercâmbio de manifestações através das quais se constrói uma valiosa rede de encontros. Cada autor traz em si sua própria epifania, maneira particular de vislumbrar o mundo. Com isso, opera-se um vasto painel de sensações e leituras, todas elas estabelecendo sinais espontâneos de convergência. É quase impossível definir o quanto todo o numeroso contingente de colaboradores impactou o perfil da revista. Diga-se de passagem, entendemos que pomos em prática um projeto em permanente construção. Portanto, nada está esgotado em si, pois é sempre tempo de olhar ao redor. Ao longo de todas as edições, presenciamos também outras tantas investidas editoriais que nos auxiliaram no entendimento do nosso papel enquanto suporte cultural. A via digital rompeu barreiras e aproximou-nos de pessoas dos mais diferentes lugares do mundo, todas elas com sua importância peculiar. Para nós, está claro que avançar é preciso. O atual momento de celebração contempla a poética presente nas fotografias de <strong>Gabriel Rastelli Quintão</strong>. Deparamo-nos com os arremates narrativos de <strong>Marcus Vinícius Rodrigues</strong>, <strong>Natália Borges Polesso</strong> e <strong>Sérgio Tavares</strong>, especialmente selecionados para a ocasião. No território da poesia, emanam os fluxos líricos de gente como <strong>Wesley Peres</strong>, <strong>Demetrios Galvão</strong>, <strong>Adriano Scandolara</strong>, <strong>Francisco S. Hill </strong>e <strong>José Carlos Sant Anna</strong>. Com o olhar sensível sobre o mundo e a vida, a poeta <strong>Neuzamaria Kerner </strong>concede-nos uma entrevista, na qual aborda principalmente as energias emanadas do seu mais recente livro. São de <strong>Larissa Mendes </strong>as percepções a cerca de “1977”, novo disco do cantor e compositor <strong>Wado</strong>. O escritor <strong>Marcos Pasche</strong> chama-nos atenção para obras de quatro autores contemporâneos: <strong>Maíra Ferreira</strong>, <strong>Juliano Carrupt do Nascimento</strong>, <strong>Leandro Jardim </strong>e <strong>Anderson Fonseca</strong>. O novo filme dos irmãos Dardenne é tema das anotações de <strong>Guilherme Preger</strong>. <strong>Fabrício Brandão </strong>ousa penetrar nas veredas do mais recente livro de <strong>Dênisson Padilha Filho</strong>. É tempo de centésima jornada, caros leitores! Celebrem conosco!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dedos de Prosa II</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:49:48 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[a inércia de Alice]]></category>
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		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Natália Borges Polesso]]></category>
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					<description><![CDATA[O fio moderno e revelador da prosa de Natália Borges Polesso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;Natália Borges Polesso</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Gabriel.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Gabriel.jpg" alt="gabrielrquintão" class="wp-image-12903" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Gabriel.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Gabriel-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Clichê</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Comprei uma caixa de morangos no supermercado. Comprei uma caixa de amoras também. E duas cervejas. Cheguei em casa, guardei as frutas na geladeira e bebi as duas cervejas. Às vezes penso se não é por vergonha que também compro as frutas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No outro dia, depois de jejum forçado por gastrite conjugal e falta de apetite, por obrigação, peguei os morangos. Precisava comer algo saudável, algo que me alegrasse o estômago, o paladar e a alma. Puxei o invólucro de plástico da bandejinha também de plástico. Quanto plástico, pensei. Nem sei mais o gosto do morango ainda sujo de terra, de mijo de cachorro, do que fosse, só conheço o gosto das coisas plásticas. Quando terminei de abrir a bandeja, olhei os morangos ali tão vermelhos, pareciam ter asfixiado, estavam mofados. Era uma merda de um clichê intelectualoide sobre minha mesa. Um fracasso de prateleira e um sucesso de estante. Sobre a mesa, dois cotovelos encardidos, dois braços bronzeados, duas mãos ostentando dedos de unhas vermelhas apoiando uma cabeça pesada, cheia de mofo também, como os morangos. Como os morangos, soco goela abaixo, como prêmio de consolação. Penso nas coisas incompletas ou mal cuidadas. Um após o outro, os morangos. Uma após as outras, as coisas. Minhas unhas tão suculentas, bem mais vermelhas e eufóricas que aqueles morangos. Como as unhas também? Como a raiva? A audácia? A inércia? A própria pele? O próprio desagrado?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É tempo de pensar o irreal. Comprei uma caixa para caber tudo o que fosse falso. Comecei pelos desencontros e todos os diamantes que guardava no cofre. Arrastei tudo com a mão, joguei tudo para dentro. Depois foi a vez da cabeça, em repetidos movimentos, para cima e para baixo. Em seguidos consentimentos, sim, sim, sim. Tudo caía, se desprendia sem esforço. Pensei se em algum momento aquilo tudo teria feito parte de mim. Transbordava a caixa. Eu ficando vazia. Grandes lacunas entre todas as afirmações, sim&nbsp;&nbsp; sim&nbsp;&nbsp; sim. Pequenas ilhas de certeza boiando num vácuo oceânico de hesitações. Quando terminei, encarei os morangos. Eram angústias reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrei de um saco onde eu guardava medalhas, cartas, mechas de cabelo, desenhos e instruções. Minha mãe jogou fora, sem o meu consentimento, há muito tempo. Pensou que aquelas coisas não tinham valor. Hoje eu não sei dizer se tinham, elas não fazem diferença. Talvez elas pudessem preencher as lacunas em mim. Mas eu não sei, nem vou saber. É melhor ocupá-las com outra coisa, como morangos ou unhas vermelhas. Ou ainda com grandes clichês. Uma estante cheia de papel saturado de palavras, grandes nomes, grandes clássicos, pequenas dores. Pequenas epifanias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrei dela, não sei se era um arremedo de ideia ou um arremedo dela? Estava tão magra e espinhenta. É inevitável, tu és a minha pequena epifania, aquilo que me faz descobrir mais em mim – não havia muito a ser descoberto – mais do que eu gosto e mais do que eu desaprovo em mim mesma. Tu és minha pele, meu conforto, meu conto favorito. As memórias soterradas pelo vazio de agora tinham um gosto distante. Pareciam novidades, descobertas, as velhas coisas que a paixão ou o engano fazem, distorcem, e faziam sentir os arrepios do primeiro beijo roubado – talvez não seja um arrepio, mas sim um mau pressentimento –, e a dor do último tapa – que não foi o último, posto que ainda houve tanta agressão/violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrei de uma chinelada que levei da minha avó. Com cinco anos de idade eu resolvi ir embora de casa. Arrumei uma mochila com roupas velhas, viveria na rua, logo, na minha cabeça infantil, só poderia usar roupas rotas. Quando ia atravessando a quinta rua, levei um puxão de orelha e uma chinelada. Minha avó me agredia com todo aquele amor ressentido. Tapas e choro contidos e nunca mais faça isso. Gradearam a casa, dali em diante eu só brincava no pátio com portão trancado e sob o olhar magoado da minha avó. Ontem foi aniversário dela, liguei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrei dos meus irmãos que já não eram os mesmos. Uma vez brincávamos num montinho de areia, numa construção ao lado de casa. Enterrados até os joelhos na areia, ríamos sem nos dar conta do quão rápido cresceríamos e perderíamos a vontade de brincar assim. E teríamos nojo de areia em construções. Somos tão diferentes apesar da mesma cara borges-polesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu queria alargar as lacunas ainda mais, balancei a cabeça novamente. Erosão de lembranças, as distâncias mais simbólicas, as memórias menos tenazes, quase nas imediações do mito. Lembrei. Lembrei. Lembrei de algo que não era mais meu. Lembrei do gosto da tua boca depois de comer os morangos mofados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://ainerciadealice.blogspot.com.br/"><strong><em>Natalia Borges Polesso</em></strong></a><em>&nbsp;é escritora, professora e doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS. É autora de &#8220;Coração a corda&#8221; (2015) e &#8220;Recortes para álbum de fotografia sem gente&#8221;, obra vencedora do Prêmio Açorianos (2013) na categoria contos, e também da tirinha tosca &#8220;A Escritora Incompreendida&#8221;,&nbsp;publicada via facebook.&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-33/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-iii-35/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:41:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Demétrios Galvão]]></category>
		<category><![CDATA[esticar o mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[o barulho]]></category>
		<category><![CDATA[o silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[palavra-mágica]]></category>
		<category><![CDATA[para uma criatura encantada vol. 5]]></category>
		<category><![CDATA[para uma criatura encantada vol. 7]]></category>
		<category><![CDATA[pescaria noturna]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Acrobata]]></category>
		<category><![CDATA[Teresina]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
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					<description><![CDATA[Expansões do mundo nos versos de Demetrios Galvão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Demetrios Galvão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="333" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-1.jpg" alt="" class="wp-image-15766" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-1.jpg 333w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-1-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>palavra-mágica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando os pés adoecem<br />
e esquecem os caminhos<br />
o corpo precisa inventar voos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">os peixes nadam na profundidade da costela direita<br />
na obscuridade do entre-ossos<br />
migrando para o aconchego do litoral carnudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>(a língua quando bem plantada<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>atinge veios profundos<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>manancial voluptuoso de fabulações)</p>



<p class="wp-block-paragraph">busco então, a sobrenatural beleza:<br />
as ancas africanas, a envergadura monárquica,<br />
a anatomia incendiária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">me visto de asas e de lâmpadas<br />
e vou ao teu encontro<br />
com uma palavra-mágica adornando os olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>pescaria noturna</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>olho tua pele como uma estamparia do infinito.</em><br />
Floriano Martins</h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">embarca tua forma épica<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– delgadas linhas-curvas de alumbramento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>era de gozo que teu olho escorria<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>o perfume do primeiro encontro aniversariando<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>eram as terras novas: anônimas: sendo conquistadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>nossa pescaria na madrugada<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>e o alimento festivo armazenado por anos na memória.<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>o tecido-de-peixes nos fez cardume na fileira dos meses,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>nos fez náufragos de carnes unidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">infante, tu me aprisionou no baralho como carta-salva-vidas.<br />
tuas armas são atalhos úmidos<br />
teu vocabulário: indomável:<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>revolta de mar solto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o que se escreve do teu corpo não tem nome:<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>esôfago de veludo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>onde me dissipo por tuas cavernas-entranhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>se usasse brincos eles seriam satélites<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>rodopiando em volta de tua existência celeste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">teu peito-abajur vibra uma luz rara:<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>cor de céu medular.<br />
teu riso é vitral bizantino flamejante<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>na arquitetura dos gestos translúcidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>– ainda te guardo nos dedos daquele dia –</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>o silêncio, o barulho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ao som de philip long</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>para assis, lara e hilda</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o silêncio do sono é trabalho de imagens profundas.<br />
o barulho das ruas são palavras praticando o alfabeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o silêncio da menina lara é uma ideia danada sendo gestada.<br />
a cor do sol faz um barulho que arde na pele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando o violão toca, estremece o silêncio que vive dentro do peito.<br />
o barulho é bom quando feito com amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o silêncio das fotografias traz um passado que, às vezes, amansa a alma.<br />
o ronronado da hilda é um barulhinho que traz felicidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o silêncio de um olhar perdido ecoa na orelha do espectador.<br />
o barulho é gostoso quando estala no rosto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o silêncio do escuro é um segredo em absoluto.<br />
o barulho do alfaiate é roupa nova no armário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">o barulho do menino assis é<br />
o silêncio que vazou da barriga da mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>esticar o mundo</strong></p>



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<h6 class="wp-block-heading"><em>para marcelino freire</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ainda é possível esticar o mundo com a palavra poética</p>



<p class="wp-block-paragraph">se aliando ao balé das arraias<br />
aos porteiros que abrem os caminhos do mundo<br />
às armas de misericórdia dos infames<br />
aos livreiros da diáspora<br />
às mercearias que sediam confrarias fugazes<br />
aos tuaregues mensageiros dos ventos-suburbanos<br />
aos engenhos e cachaças mágicas<br />
aos taxistas sobrenaturais que detêm a arte dos atalhos<br />
ao cinema do oriente abandonado<br />
às musas que habitam os labirintos da memória<br />
aos andaimes dos cemitérios da carne<br />
aos carteiros que espalham pontes silenciosas<br />
às chuvas que inventam estradas aquáticas<br />
aos jardineiros que curam e fazem partos nos canteiros<br />
aos gatos que amaciam os recantos da cidade<br />
aos pintores alados que enfeitam os muros<br />
aos bem-te-vis arquitetos do assovio<br />
às crianças que dominam gramáticas horizontais</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;</span> é possível esticar o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>para uma criatura encantada vol. 5</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>hoje o carteiro entregou infâncias na casa do poeta.</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">era cedinho quando inaugurou existência cremosa<br />
fez apostas e arremessou expectativas<br />
gastou verbo edificando mansidão<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– seu perfume é como o som perdido que enche a casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">é de uma timidez imperial<br />
carrega um mapa de 2 pintores – encontro difícil de avaliar<br />
sabe um pouco sobre receitas, vive pela cozinha entre temperos<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– seu mundo é vocabulário em aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">não manipula números, mas inventa sorrisos particulares<br />
desde muito cedo aprendeu a domesticar cactos<br />
provinciano é seu esconderijo infantil: o casulo mimético<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– seu rosto é lua-cheia-de-poesia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">não tem tias ou avós, pertence a uma família incomum<br />
do pai, herdou os sons graves e, da mãe, o gosto pelo efêmero:<br />
são gestos refinados e aconchegantes<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– sua herança é um limiar tênue na percepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">é sempre mais afável pela manhã<br />
momento em que enterra segredos em cofres vigiados por bromélias<br />
e ensaia uma virgindade aristocrática sem tradução<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>– sua beleza é violência estalando pelas praças luminosas.<br />
em seu canto arrebata o sentimento das palavras e lança:<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>a felicidade é uma invenção macia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>para uma criatura encantada vol. 7</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">não viveu na companhia de uma única pessoa<br />
tinha uma movimentação instável.<br />
seus meridianos quase sempre desalinhados<br />
não favoreciam um mapa astral seguro, solar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">de personalidade selvagem, demonstrava uma simpatia sussurrada<br />
frequentou uma escola nômade-heterodoxa<br />
colecionava sermões do sub-mundo e liturgias marginais<br />
quase nunca tinha bagagem e nem falava de sua família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">só teve lares de fantasia e uma casa que existia em sonho,<br />
que lhe visitava com frequência, aquecendo sua esperança.<br />
exibia um olhar ansioso e uma tristeza erosiva<br />
se gabava das cicatrizes eloquentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">em conversas, pronunciava sons graves, dissonantes.<br />
nem sempre tinha razão<br />
sabia quase nada de poesia, era displicente com as palavras<br />
não se interessava pelas intimidades desbotadas dos outros<br />
vivia a ambiguidade de um passado caótico e de um presente incerto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">foi a festas que tocavam david bowie, lou reed e se embriagou<br />
sua gentileza insólita era uma marca latente<br />
carregava um fogo indolente como amuleto protetor<br />
nunca foi a um médico. tratava suas dores com solidão-analgésico.<br />
antes de desaparecer, comentou que a saudade é<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>privilégio dos que amam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Demetrios Galvão</em></strong><em> é habitante da província de Teresina (PI), historiador e poeta. Publicou os livros Cavalo de Tróia (2001), Fractais Semióticos (2005), Insólito (2011) e Bifurcações (2014). Participou do coletivo poético Academia Onírica e foi um dos editores do blog Poesia Tarja Preta (2010-2012) e da AO-Revista (2011-2012). Tem poemas publicados em diversos portais e revistas. Atualmente é um dos editores da revista Acrobata. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gramofone</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:37:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[1977]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Wado]]></category>
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					<description><![CDATA[Larissa Mendes rende escutas ao novo disco do cantor  Wado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>WADO – 1977</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/capa-1977.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="350" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/capa-1977.jpg" alt="capa-1977" class="wp-image-9704" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/capa-1977.jpg 350w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/capa-1977-150x150.jpg 150w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/capa-1977-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“O norte sem norte: o não se repetir”. </em>É sob esta bússola errante que o <em>release</em> do oitavo álbum de Oswaldo Schlikmann Filho – que atende pela alcunha de Wado – nos é apresentado. Celebrando 10 anos de carreira, o compositor catarinense radicado em Maceió desde criança, já transitou com desenvoltura pelo samba, <em>rock</em> e vertentes da MPB. Com uma discografia composta por títulos sugestivos, vide <em>O Manifesto da Arte Periférica</em> (2001), <em>Cinema Auditivo</em> (2002), <em>A Farsa do Samba Nublado</em> (2004), <em>Terceiro Mundo Festivo</em> (2008), <em>Atlântico Negro</em> (2009), <em>Samba 808</em> (2011) e <a href="http://diversosafins.com.br/diversos/?p=5160"><strong><em>Vazio Tropical</em></strong></a> (2013), dessa vez o músico optou por batizar o álbum com seu ano de nascimento: <em>1977</em>. Wado assina a produção das 10 faixas do disco, que conta mais uma vez com a participação de convidados/amigos de todos os cantos: Uruguai, Portugal, Argentina e Brasil, garantindo uma latinidade peculiar. Lançado sem alarde no início de março e disponível em <em>streaming</em> no YouTube, o álbum possui <em>download </em>gratuito no <a href="http://wado.com.br/"><strong>site</strong></a> do artista e o formato físico tem distribuição pela gravadora <em>Deckdisc</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-3.jpg" alt="" class="wp-image-15769" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-3.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Wado / Foto: Pedro Ivo Euzébio</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Lar</em>, primeiro <em>single</em> de <em>1977</em>, abre o álbum com o peso de guitarras, sintetizadores e um refrão vibrante que brada: “<em>eu era seu lar/era em mim que você costumava morar!”.</em> <em>Cadafalso (pelo cadafalso/ando descalço/à beira do salto/de cada falso amor) </em><em>– composição de Wado e Marcelo Frota </em>que nomeia o disco de Momo, de 2013, <em>– traz a participação de </em>Lucas Silveira (<em>Fresno</em>), desta vez numa versão menos intimista que a original. A ensolarada <em>Deita </em><em>– </em>que dá vontade mesmo é de levantar e sair cantarolando <em>–</em>, dueto com o músico português Samuel Úria, flerta com o <em>pop</em> e aborda algumas [in]utilidades da vida, num dos momentos mais aprazíveis do álbum. Na nostálgica <em>Galo (é raso, mas não tem como alcançar/é profundo e sem abismo/quantos becos têm saída/o galo cantou tarde demais/eu desprezo pontos de vista/eu descarto ideais), </em>Wado divide o microfone com a mexicana Graciela Maria <em>– </em>que lembra muito a voz de Julieta Venegas. Mais miscigenada ainda, <em>Condensa, </em>reveza nos vocais o alagoano João Paulo (<em>Mopho</em>), o português Martim e a argentina Belen Natali.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo bloco da obra inicia com a [contraditoriamente] dócil <em>Mundo Hostil (é nesse mundo hostil que eu moro/é nesse mundo hostil que estou/ah, eu já não moro/ah, eu já não estou), </em>em nova parceria com o uruguaio Gonzalo Deniz, que já dividiu os vocais com Wado em <em>Carne</em>, de <em>Vazio Tropical</em>. A grandiloquente <em>Menino Velho </em>aborda “<em>a metade inteira, o nada enquadrar e o nada pertencer” </em>da geração de 1977 e afins. A bateria eletrônica e os sintetizadores de <em>Sombras </em>contrastam com a poética <em>Palavra Escondida (qual a palavra escondida/embaixo da língua/em que suicida/deixou de saltar/qual dos dois é a medida/o amor ou a sorte/um beijo da morte/te perdi no altar), </em>bela composição dividida com Zeca Baleiro. A versão de <em>Um Lindo Dia de Sol</em> <em>(se você encontrar/alguém perfeito eu vou rezar/vou ficar, vou morrer) </em><em>– canção da banda Mopho – </em>encerra a obra com uma aura instrumental de <em>Beirut</em> e um sopro de saga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como uma bússola sem ponteiro, Wado parece transpor gêneros a sua poesia. Se <em>Vazio Tropical</em> era intimista e delicado, <em>1977</em> tem uma verve <em>rock</em>, porém é multifacetado como o próprio passar do tempo. Aliás, durante os 27 minutos de audição fica evidente que as raízes roqueiras tradicionais vão se dissipando e apontando para um universo musical atemporal. Mais uma vez o músico rompe fronteiras linguísticas e imprime um trabalho de qualidade indiscutível: sua Rosa dos Ventos está pronta para nos guiar entres pontos poéticos, sonoros e sensoriais.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/FaWxwkQBXj4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Larissa Mendes</em></strong><em> é uma velha menina, conterrânea do mesmo mundo hostil de Wado.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-iv-37/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:21:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[F.S. Hill]]></category>
		<category><![CDATA[Flanzine]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Livro das coisas breves]]></category>
		<category><![CDATA[Nicotina Zine]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[Incômodos da vida traçados nas entrelinhas de F.S. Hill]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>F. S. Hill</em></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna2.jpg" alt="Gabriel Rastelli Quintão" class="wp-image-9696" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna2.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna2-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes,<br />
quando os cotovelos apontam em direcções<br />
opostas,<br />
impelidos pela força de um espreguiçar,<br />
gostava que as minhas costelas se abrissem<br />
e a carne se rasgasse<br />
e eu, feito petroleiro,<br />
a derramar-me pelo ar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
poema em forma simples como um quadrado<br />
poema em forma simples como um triângulo<br />
poema em forma simples como<br />
a dor que trago no sapato<br />
que é novo<br />
não de hoje<br />
tem semanas<br />
mas andou pouco<br />
andar é simples<br />
quando não se tem um pé quadrado<br />
ou um sapato em forma de triângulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">todos os silêncios caminham para<br />
o abismo sentimental e eu que sou<br />
morte permaneço apenas<br />
pesado pelas ideias que constroem<br />
de mim<br />
em mim<br />
a carne torna-se pedra<br />
o tempo perda<br />
crescem-me vazios nos olhos<br />
e sombra no estômago<br />
e eu que sou morte<br />
duas vezes<br />
não distingo as coisas das outras coisas<br />
e as coisas do que não são<br />
fico<br />
quieto<br />
seguro<br />
da infinitude</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Os dedos pousados sobre o dorso da loucura.<br />
Memória do elefantário plantada à janela.<br />
Mil vezes matei a criança que me urticava.<br />
Cresci velho.<br />
Segui o lado de dentro do caminho.<br />
Desenhei cavernas em redor<br />
e esfreguei o sexo para manter o fogo.<br />
Ficcionei-me.<br />
Deus abandonou-me.<br />
Eu agradecido, fiz-me maior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Hoje sonhei com a tua boca.<br />
Sonhei que ela era uma casa,<br />
onde víviamos nus e mudos.<br />
As paredes cobertas de palavras<br />
escritas por nós, com as unhas.<br />
Todas as palavras de que precisaríamos<br />
até ao fim da tarde.<br />
Era uma casa húmida<br />
como todas as casas onde a vida acontece.<br />
Havia uma simplicidade branca no sentir.<br />
Tu beijavas-me as mãos pousadas<br />
no teu olhar.<br />
Eu desenhava silêncios na tua pele.<br />
E estremecíamos a cada brisa irregular.<br />
Não pares, não agora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>FS Hill</em></strong><em> (Portugal) &#8211; Com formação superior em Teatro, decidiu, em 2011, dedicar-se à escrita poética, para tal abriu um laboratório poético online, através da rede social Facebook, onde a escrita e respectiva publicação do seu trabalho, numa perspectiva de experimentação, permitiram um diálogo direto com o público. No início de 2014, viu o seu primeiro e único livro – “Livro das Coisas Breves” &#8211; ser publicado pela editora MEDULA, de Coimbra. Tem publicado nas revistas Flanzine e Nicotina Zine e participa, em 2015, de dois livros coletivos: 70 poemas para Adorno e Mitoblina. Em 2014, foi um dos autores do POEMANIFESTO da editora Flan de Tal.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-32/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[A fuga]]></category>
		<category><![CDATA[ausências]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardo Kucinski]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Tavares]]></category>
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					<description><![CDATA[Um legado de ausências no conto inédito de Sérgio Tavares
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sérgio Tavares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna7.jpg" alt="Gabriel Rastelli Quintão" class="wp-image-9743" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna7.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna7-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A fuga</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>Para o amigo Bernardo Kucinski</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O menino foi antes. Fazia uma semana. Agora era a vez dos pais prepararem-se para a fuga. A mãe foi a primeira a aprontar a mala. Sentada no sofá da sala atravessada pela penumbra das cortinas cerradas, ouve os passos do marido num vaivém acelerado do escritório à cozinha. Arrasta objetos, joga-os no chão, rasga papéis. Dá vida a um descontrole que não a alcança. Ela apenas ouve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o cheiro adocicado de fumaça recende pela casa. Logo o ambiente fechado é preenchido por uma massa nebulosa. A mãe se levanta e dirige-se até a soleira da cozinha. Vê o marido intranquilo, queimando, na boca do fogão, documentos, fotografias, relatórios mimeografados e páginas do manual de guerrilha e de jornais clandestinos. Em volta dele, a porção de vapor é mais densa. Como se ao incinerar o passado, incinerasse também a si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem lhe resgata a memória de uma canção antiga. Passa um tempo olhando-o, enquanto a letra flui remansosamente em sua cabeça. O marido não a percebe em momento algum. Focado em não deixar vestígios e tampouco ser flagrado na janela, embora coberta há dias. A mãe se cansa e retorna ao sofá. O corpo já não é mais o mesmo com o chumbo sobre os ombros. Toca na mala aos seus pés, abastecida com mudas de roupa, cartas do irmão, passaporte falso, livros de poesia e um álbum de retratos do filho. Sente vontade de pegá-lo, mas sabe que mexer no interior pode gerar um contratempo, e precisam partir o mais breve. Fugir e reencontrar o menino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cozinha ainda despeja fumaça e cacofonia. Não será agora, aparentemente. Põe-se de pé outra vez e caminha até o quarto do filho. Afasta a porta. Está do jeito que ele deixou, uma desordem encantadora. A cama desfeita, gavetas expostas. Uma passeata de brinquedos pelo tapete. O menino não pôde levar nenhum deles, imagina que deve sentir falta. Agacha-se e pega um soldadinho de plástico. Enfia no bolso de trás da calça jeans. Passa somente a observar. A ausência. Um quarto infantil sem uma criança é a reificação da saudade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando volta à sala, o marido está de cócoras diante de uma mala aberta. O olhar inquieto denuncia o desgoverno sobre os gestos, quase um rompante. Vai atulhando roupas, sapatos, cintos, livros de economia e de história do Brasil, passaporte falso, um revólver automático, cartuchos e uma fita magnética de rolo. Transpira excessivamente, o linho da camisa se emplastra no tórax. Ela o observa, não trocam palavras. Ele fecha a mala. Ato contínuo, dispara até a estante e pega uma folha de papel e caneta. Debruça-se sobre a mesinha de centro e começa a manuscrever uma relação com nomes de empresários, diretores de agências de publicidade e de jornais que apoiam o regime. Patrocinadores de prisões arbitrárias, de torturas, de desaparecimentos. Produzir, com o próprio punho, a lista é seu último ato de resistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Termina e deixa a folha explícita sobre o tampo. Pega a mala, a esposa faz o mesmo. Caminham agora juntos até a saída dos fundos. Com cautela extrema, destranca a porta e abre uma ínfima brecha. O ar fresco os atinge. A mão na maçaneta treme. Sabe que não podem se precipitar ou irão cair. O ponto não é mais seguro. Eles estão lá fora, à espreita, os agentes disfarçados. O sujeito de ray-ban tomando café no balcão da padaria. Aquele outro de perfil, a cabeça encoberta pelo capacete do orelhão. Encostado na lateral da kombi, de mangas de camisa. Atrás da face externa do portão. Ao redor dos muros baixos da casa. Quantos eles são? Não deve perder o foco, assim versa o manual. Tem de proteger a esposa, a companheira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mete os dedos pela bainha da camisa e segura o cabo da arma presa ao cinto. Encosta o ombro na madeira da porta, olha para a esposa, assente e dá um tranco seco. A abertura é sucedida por uma escapada pela garagem, até a traseira do cupê Uirapuru azul-ferrete. Abre o porta-bagagem e joga as malas. Mantendo o ritmo frenético, separam-se pelas laterais e embarcam nos assentos dianteiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os vidros fechados logo condenam a cabine ao gás tóxico de suas respirações. O medo, a aflição, a possibilidade de um ataque a tiros. Precisam sair dali o quanto antes, precisam da chave. O pai vasculha os bolsos com agressividade, até que encontra o pequeno estojo. Ali está, a chave para que possam finalmente fugir. Ele retira a tampa e exibe as cápsulas de cianureto. Ele pega uma, a esposa fica com a outra. Colocam delicadamente entre o vão dos molares. Entreolham-se, por alguns segundos. Em seguida abraçam-se e as mastigam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os corpos entram em convulsão, dirigidos pelo veneno. A boca aflora em espuma, os olhos reviram. Passam a enxergar o mundo interior, onde a mãe vê o menino e o marido. Estão na praça, jogando futebol sobre a grama. É um domingo. Eles não deviam se expor assim, mas uma criança precisa de diversão, mesmo em tempos sombrosos. Então a bola corre para além do gradil de proteção. O menino dispara atrás. A praça está à margem de uma autopista, a bola corre para lá. O menino não se detém. Os carros zunem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe berra e corre. O pai berra e corre. A bola corre. O menino não se detém. O caminhão não se detém. Porém, desta vez, o motorista consegue desviar a tempo e o menino salva a bola. O pai estanca e serena. A mãe o ultrapassa e choca-se contra o corpo frágil da criança. Segura-a, beija-a, chora. Tem contra si, para sempre, o filho que é seu. O filho, para sempre, envolto em si. A morte não é uma luta, é um abraço.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sérgio Tavares</strong> é jornalista e escritor, autor de “Cavala” (Record, 2010), vencedor do Prêmio Sesc Nacional de Literatura. Tem textos publicados em jornais, revistas e sites literários nacionais e internacionais. “Queda da própria altura” (Confraria do Vento, 2012), sua obra mais recente, foi finalista do 2º Prêmio Brasília de Literatura<em>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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]]></content:encoded>
					
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		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/dropsdasetimaarte-4/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 13:04:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Preger]]></category>
		<category><![CDATA[irmãos Dardenne]]></category>
		<category><![CDATA[Marion Cotillard]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[uma noite]]></category>
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					<description><![CDATA[O filme “Dois dias, uma noite” na visão de Guilherme Preger ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Guilherme Preger</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dois dias, uma noite. França/Bélgica/Itália. 2014.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Cartazm.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="340" height="500" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Cartazm.jpg" alt="Dois dias, uma noite" class="wp-image-9687" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Cartazm.jpg 340w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/Cartazm-204x300.jpg 204w" sizes="auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Dois dias, uma noite</em>, dos diretores belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, conta a história de Sandra (vivida pela atriz Marion Cotillard), trabalhadora de um negócio fabril numa pequena cidade da Bélgica, que ao retornar de uma licença médica devida a um problema de depressão, de origem desconhecida, descobre que seus colegas de trabalho votaram pelo seu afastamento definitivo, em troca de trabalhar um pouco mais e receber um bônus de mil euros.&nbsp;&nbsp; Sabendo que a votação teria sido aberta e que seus colegas foram pressionados pelo gerente, Sandra convence seu empregador a ter mais uma chance com uma nova votação, dessa vez secreta. Assim, ela teria um fim de semana para convencê-los a abrir mão do bônus e obter seu emprego de volta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esta trama simples, como em geral ocorre em seus filmes, os irmãos Dardenne, como são conhecidos, alcançaram uma imediata empatia com o público. <em>Dois dias, uma noite</em> já é o maior sucesso comercial da dupla, com muitos méritos. Seguindo a habitual “câmera na mão” dos diretores, sempre focada na corporeidade de seus atores, os espectadores acompanhamos como num filme de suspense a trajetória de fôlego de Sandra, indo de casa em casa para, face a face com seus colegas, mostrar que já está disposta novamente e que precisa do emprego para garantir o ganha-pão de sua família. O problema é que seus colegas também precisam do dinheiro e se mostram pouco inclinados a abrir mão dele. Na verdade, além de uma suposta solidariedade de classe ou simplesmente de um sentimento de fraternidade, há poucas razões para que abram mão de seu bônus. Afinal, trabalharam alguns meses com um colega a menos e a rotina do trabalho não teria mudado muito, mostrando que a presença de Sandra talvez fosse supérflua&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na atmosfera crua e fria, sem ornamentos estilísticos e estéticos (que lembra muito, em sua sobriedade os filmes da maior referência dos diretores, o cineasta Robert Bresson, sem, no entanto, o fundo metafísico e religioso deste), somos levados a acompanhar tensos diálogos nos quais os personagens apresentam suas razões de conduta e escolha. A personagem de Sandra está presente em todos os diálogos, inclusive aqueles com seu marido, cujo apoio parece estar muitas vezes no limite da pressão para que ela recupere seu posto. Sandra só pode contar com seu próprio corpo e com suas palavras para defender seu argumento e a sua verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como muitos de seus filmes anteriores, somos confrontados no cinema a cada diálogo com um dilema ético que muitas vezes parece insolúvel, pois as razões dos personagens são ancoradas em suas necessidades concretas e limitam suas decisões. A obra dos irmãos Dardenne aborda como poucas na contemporaneidade a crise de ética do mundo do trabalho nesses últimos tempos de avanço e crise neoliberais. Os diretores, aliás, começaram sua carreira cinematográfica justamente fazendo documentários sobre a classe trabalhadora belga e a precarização das relações trabalhistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-4.jpg" alt="" class="wp-image-15772" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-4.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-4-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Marion Cotillard na pele de Sandra / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A este respeito, é importante observar que, apesar de ter sido aclamado pela crítica em muitos países, o filme dos irmãos Dardenne também recebeu algumas críticas sobre supostas inverossimilhanças do roteiro. Uma das críticas, por exemplo, destacou que em vários países (inclusive no Brasil) há leis que protegem trabalhadores nas condições vulneráveis em que Sandra se acha em função de seu problema psíquico e de sua licença. Outra análise, que justamente partiu de uma abordagem socialista do movimento dos trabalhadores, critica os diretores pelo fato de terem reduzido uma questão política e trabalhista numa questão da ordem ética e moral. Por que afinal Sandra, em vez de se humilhar à frente de seus colegas para recuperar seu posto, não acionou os sindicatos contra seus patrões, que provavelmente perderiam uma ação trabalhista? Por que afinal não resolver seu drama politicamente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">As críticas são pertinentes, mas em defesa da opção dos diretores, é importante destacar que a estrutura narrativa do filme, apresentada como uma parábola alegórica, não estava interessada em compor um retrato realista da sociedade trabalhadora belga (apesar do filme ser livremente baseado numa história real, lida pelos diretores numa matéria de jornal), mas de compor um microcosmo ficcional&nbsp; despido de referências contextuais e mesmo despido de transcendência para concentrar sua objetiva no fim de semana de uma trabalhadora que poderia ser belga ou não. E com esta escolha, se o filme perdeu em contextualização, ganhou em universalidade, transformando a travessia de Sandra numa pequena odisseia da época do capitalismo terminal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois o universo que os diretores abordam em toda sua obra é justamente o de um mundo do trabalho que perdeu suas referências de luta histórica e suas bases de legitimidade para retornar a um extremo modo de exploração do corpo e da psique dos trabalhadores. Em <em>Rosetta</em> (1999), por exemplo, filme que recebeu a Palma de Ouro em Cannes, acompanhamos a luta de uma adolescente para conseguir seu emprego além de toda moral e a um ponto de sua desumanização. Curiosamente, a repercussão deste filme ajudou a mudar a legislação trabalhista na Bélgica relativa à contratação de menores. Neste caso, portanto, a dissonância do filme com relação à realidade ajudou a transformar esta última.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Dois dias, uma noite </em>acompanhamos e torcemos para que Sandra recupere seu emprego e nos angustiamos junto com ela em sua jornada pelo fim de semana. No entanto, mesmo que não saibamos o resultado de seus esforços, paira desde sempre, na personagem e nos espectadores, uma suspeita de que sua batalha já esteja perdida. Afinal, a própria situação já é uma derrota. Que o destino de um colega de trabalho seja decidido numa votação por seus outros colegas, que o sistema coloque uns contra outros (poupando o peso da decisão a seus patrões), que o uso de um instrumento democrático seja utilizado contra os próprios trabalhadores, é sinal de que o sistema já ganhou a batalha, de que a solidariedade já não seja o sustento das relações e de que cada um esteja entregue à própria sorte. Sandra se encontra só num mundo do trabalho esfacelado e a ela só resta, após acordar de um longo sono (a primeira cena do filme é justamente a de seu despertar), fazer a “boa luta”. Pois é na boa luta que ética e política afinal se encontram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, neste filme é preciso louvar o excepcional trabalho cênico de Marion Cotillard. Os irmãos Dardenne são conhecidos por preferirem atores desconhecidos ou mesmo não atores. Sua escolha por Marion como protagonista se deveu ao reconhecimento de seu trabalho no filme <em>Ferrugem e Osso</em> de Jacques Audiard, filme do qual foram produtores.&nbsp; Em sua compostura física, em seu rosto cruamente melancólico, não sentimental, com suas roupas despojadas e em seu andar entre recuos e avanços, a atriz carrega as angústias da personagem e de nós espectadores. O realismo do filme está nesta vivência compartilhada por muitos do trabalho como uma luta contra a depressão, contra o empobrecimento das relações e contra o egoísmo de um mundo no qual estamos jogados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/RnyXGS3ZwOw" width="420" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Guilherme Preger</strong> é engenheiro e escritor, autor de “Capoeiragem” (Ed. 7Letras) e &#8220;Extrema Lírica&#8221; (Editora Oito e Meio) e também organizador do Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro no Rio de Janeiro.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/janela-poetica-vi-13/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 12:52:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[José Carlos Sant Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Quarteto Editora]]></category>
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					<description><![CDATA[A sutileza costurando os versos do poeta José Carlos Sant Anna]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>José Carlos Sant Anna</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna5.jpg" alt="Gabriel Rastelli Quintão" class="wp-image-9736" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna5.jpg 500w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna5-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Gabriel Rastelli Quintão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Descabido no orvalho, penso diferente<br />
do que sonho porque o inefável me acena<br />
palavras que me fazem tão leve, por acaso<br />
mais leve do que claro, sem que firam o ser<br />
ou o corpo que contraio. Logo, não me aferro<br />
ao sonho, ao amor da existência que me<br />
fere a pele, que aguça a minha sede, aflige<br />
o meu sono e me abandona às margens<br />
dessa vida em que me diluo sem saber<br />
se o que estava em mim me subjugava<br />
ao nada ou é o excesso que se move como<br />
um rio ou é uma febre que só a si mesma<br />
se compara, movendo-se dentro de mim,<br />
distendida, como se fosse um par de asas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer dia que me cale fundo,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>paciente,<br />
seguirei o teu chamado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Será um mergulho por esplanadas<br />
e um livre entender<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>das ondas de dentro<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>no curso de um rio que se pressente&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
tudo o que ela queria<br />
era um flash,<br />
um instantâneo<br />
nada, nada mais que isto,<br />
ou talvez, quem sabe,<br />
tudo isto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">epígrafes nas páginas ímpares,<br />
escritas ao léu,<br />
filmes<br />
gibis<br />
baralhos<br />
tarôs<br />
bricolagens<br />
ou imagens bruscas do Aleph de Borges<br />
ou um bouquet de Simone de Beauvoir<br />
no café da manhã</p>



<p class="wp-block-paragraph">e o coração bumerangue<br />
não estaria nem aí<br />
para a histeria de Freud com pane<br />
no seu imaginário</p>



<p class="wp-block-paragraph">ou para as linhas tortas do império romano<br />
sem as agruras de César<br />
e, mesmo assim, para um Balzac caricato<br />
o que ela faria do seu diploma<br />
de anjos radioativos,</p>



<p class="wp-block-paragraph">se o levassem a um cruzeiro<br />
em mar constelado<br />
cheio de metáforas de incertezas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">o que seria da maquete<br />
de frutas silvestres adornando o salão de arte?</p>



<p class="wp-block-paragraph">o desvario do seu idioleto é<br />
a estupefação da sua poesia</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah! e como ela oscila nos lapsos<br />
da reinvenção da palavra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong><span style="color: #000000;">***</span></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Meus olhos compassivos andam postos,<br />
Em minucioso silêncio e vínculo perfeito,<br />
Sobre um horizonte de estrelas tatuadas<br />
Que alumbram o signo traçado do mundo<br />
E soletram palavras para a mão da noite<br />
Que repousa sobre o dorso de uma lua<br />
Prata, pasmada em céu aberto, a revelar<br />
Uma alegria imensa a correr por suas veias,<br />
Como a urgência de um rio, venturoso,<br />
Liberto do jugo incerto, sem temer<br />
As ribanceiras. É nessa serenidade ante<br />
Os ritos de passagem que a mão do Pai,<br />
Substantiva chama oculta, ensina a este<br />
Peregrino as razões do ser para essa busca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Afastar-me é o remédio para livrar-me do convívio<br />
com esse vírus ignominioso, de palavras ásperas,<br />
insensatas, dizer não à caverna, ao deserto aberto<br />
fechando a porta ao vento de areias premeditadas;<br />
apagar os frágeis sinais da ponte, dos cipós, da lua<br />
feroz erguida dentro de vós porque a tua doença<br />
faz desmoronar tudo num instante, sem que a arte<br />
aceite esse veneno em sua raiz; deixar que outro sol<br />
cante em minhas entranhas como a sombra da tarde<br />
pois, uma vez decepada a minha haste, o sangue<br />
espesso jorra ao ouvir a sirene de uma engrenagem<br />
muda. Morte e movimento se esbatem nessa margem;<br />
minhas braçadas não aguentam o tamanho desse rio.<br />
Quase morto, visto-me a rigor para a noite de luto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>José Carlos Sant Anna</strong> é professor aposentado da Universidade Federal da Bahia. Atualmente é o editor da&nbsp; <a href="http://www.quartetoeditora.com.br/"><strong>Quarteto</strong></a>. E já andou publicando os seus alfarrábios pela vida afora.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2015 12:06:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100ª Leva - 03/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Dênisson Padilha Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Kalango]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Nunca fomos melhores]]></category>
		<category><![CDATA[O herói está de folga]]></category>
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					<description><![CDATA[Anotações sobre o novo livro de Dênisson Padilha Filho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nunca fomos melhores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="301" height="450" src="http://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-2.jpg" alt="O herói está de folga" class="wp-image-9765" srcset="https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-2.jpg 301w, https://dev.antoniopaim.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/04/interna-2-201x300.jpg 201w" sizes="auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Em tempos de alguma pungente desesperança, redentores são figuras cada vez mais escassas. Para desejar que tais seres existam e assumam devidamente uma função entre nós é preciso sentir o peso de um incômodo maior que nos acomete. Entre um arremate e outro, ter fôlego para respirar significa tencionar caminhos entre luz e sombra. Assim, a quem poderia interessar a existência de heróis? Ao nosso medo de lidar com as investidas indecifráveis da vida? A uma velha necessidade de delegarmos coragem a alguém que está fora de nós?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É interessante refletir um pouco sobre tamanhas questões após a leitura do mais novo livro de <strong>Dênisson Padilha Filho</strong>. Prontamente, o título já nos toma de assalto: <em>O Herói está de folga</em>. Publicado pela Editora Kalango, a obra reúne nove contos que perpassam cenários compatíveis com as indagações feitas no parágrafo inicial desse texto. A primeira história já é por si só um abre alas para os territórios que iremos cruzar. Batizada de <em>Com essas mãos</em>, a narrativa inicial nos fala da pesada sina de um matador de encomenda (espécie de justiceiro, se assim é possível considerar), cujo peso maior está na maneira como o personagem lida com o inventário das vidas que ceifou. &nbsp;Admirado por uns e temido por outros, o assassino confronta seus fantasmas, contabilizando as mortes promovidas num ritual de incessante sensação de culpa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dênisson não faz do assassino de seu primeiro conto um alguém a simplesmente purgar pecados. Os dramas e fardos são os piores, os da consciência, mas a maneira como esses processos mentais são conduzidos faz-nos pensar que ninguém passa impune pela vida, de um jeito ou de outro. A, digamos assim, humanização de um protagonista aparentemente execrável dá-se muito mais na via de um resgate do que pela assunção dos erros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis que é preciso fôlego para tocar a leitura adiante. Parafraseando o autor, todos vamos bem até a hora em que começamos a desejar demais. Mas o fato é que é inegável não querer ir além, dada a proposta da obra, sobretudo porque no entremear das narrativas abriga-se uma intangível pretensão de reconhecermo-nos desnudos e sós. A sensação de desamparo instaurada é, no caso das escrituras de Dênisson, uma provocação ao status quo de nossos ocidentalizados sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem protagoniza as ambientações do conto <em>Onde demora aquele fogo dos teus olhos?</em> pode, por exemplo, ser qualquer mortal cujas percepções estão à flor da pele. &nbsp;Ali, reconhecer-se um homem comum é gesto que implica muito mais no saldo numeroso das desventuras, um olhar o compasso dos dias com o filtro polarizador da apatia. Assim, quiçá a projeção de um tempo ideal retido na memória se configure um antídoto ao caos intimista de um alguém que é tudo, menos herói.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dênisson Padilha Filho é hábil em colocar seus personagens no olho do furacão. Dali, eles só podem escapar se lançarem mão de algo semelhante a uma espécie de expansão do tempo, o que fatalmente não acusa um sentido tradicional de libertação. Pelo contrário, a via da inexistência de mártires adotada pelo autor recusa saídas honrosas e meritórias. Por tal razão, a desgastada dicotomia entre bem e mal sequer importa. Subsiste uma dimensão na qual a reinvenção da memória parece ser substancial válvula de escape.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <em>A pin up que caiu do céu</em>, a capacidade do criador de modelar os recursos da fantasia humana é, sem dúvida, um elemento de destaque. A figura do vaqueiro Miquéias é símbolo do vigor de um imaginário bem típico dos rincões brasileiros. Para dotá-lo de um componente diferenciado, Dênisson flerta com o realismo fantástico. Reinventando-se, Miquéias busca refúgio noutras dimensões, conferindo ao seu desejo algum caráter de salvação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é de agora que o autor de <em>O herói está de folga</em> sabe amarrar cenários e construções de personagens com destacável domínio. Exemplo disso está nos contos e novelas presentes em <em>Menelau e os homens </em>(Ed. Casarão do Verbo, 2012). Dentro desse controle narrativo, há muito mais do que saber contar uma história. Seres e lugares estão amalgamados por uma perspectiva de cronologia interna, através da qual as histórias resultam num elemento orgânico e equilibrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em se tratando de percorrer as complexas paragens humanas, não há nada mais apropriado do que reconhecer aquilo que somos. Talvez por isso Dênisson ouse nos mostrar trajetórias de vida marcadas pelo traço lancinante da imperfeição. Já contabilizamos milhares de anos sob o planeta e, no entanto, resta sempre a indagação sobre o que pretendemos de nós mesmos. Não há saída. O incômodo está conosco até os ossos. De que adiantam heróis se debaixo do sol tudo está feito?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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